domingo, 19 de abril de 2009

AN - Por que não houve entendimento entre o PPS e o PT? Se Ralf [Benkendorf, diretor-geral da Câmara] e Vande [Vanderlei Battisti, diretor-administrativo da Câmara] não tivessem sido vetados pelo PT no primeiro escalão, o senhor e o PPS hoje estariam no governo do PT?Sandro - Com certeza. Não é questão de ser Ralf [Benkendorf] ou Vande [Vanderlei Battisti]. Poderia ser qualquer outro. A questão, na verdade, é outra. É mais ou menos assim. Se você quer casar comigo, você não pode dizer: "a tua mãe, não quero", "a tua mãe, não presta". É o pacote fechado e nem pode ser diferente. Quando foi feita a aliança para o segundo turno, estavam Ralf, Vande, Adalto [Moreira, candidato a vereador na última eleição pelo PPS]. Todo mundo no pacote. E ninguém questionou nada. Então, para uma hora serve, e para outra não serve mais? É estranho...
AN - Esse foi um dos grandes problemas da negociação?
Sandro - O Adalto, o Ralf e o Vande estavam na rua com a gente e ajudaram muito durante a campanha [no segundo turno]. A gente abraçou a campanha [do Carlito]. O Cardozinho [José Cardozo, ex-vereador do PPS] andou de braço dado com o Carlito. O que não pode é você chegar no partido, fechar o pacote e depois vetar os nomes apresentados pelo partido. Então não serve.
AN - O prefeito disse a "AN" que o senhor tinha acertado a eleição para a presidência da Câmara com o DEM antes mesmo de negociar com o PT. É verdade?
Sandro - Não, não, não é verdade.
AN - A partir de que momento surgiu a negociação entre Sandro Silva e DEM?
Sandro - No momento que o prefeito passou a demonstrar que não aceitava os nomes do PPS. O que aconteceu. Falei com o vereador Juarez [Pereira, do PPS] e com a vereadora Dalila e a gente fechou um pacote dos três vereadores. Então, pra onde um fosse, os outros dois iriam também. A gente sabia que, pra qualquer lado que a gente pendesse, faria a diferença. E o que aconteceu. Desde o início da negociação, foi mostrado que não haveria nome de consenso. Era a vereadora Tânia [Eberhardt, do PMDB], não tinha outro nome [para a presidência]. Tanto é que queriam que eu fosse vice. E, do outro lado, ainda estavam boicotando os nossos nomes.
AN - O prefeito falou que ofereceu 30 cargos...
Sandro - Só que as pessoas que estavam ao nosso lado precisavam estar nesses cargos.
AN - Houve a oferta dos cargos, mas o veto aos nomes foi mantido...
Sandro - Vande, Ralf, Cardoso, Adalto. Essas pessoas não servem. Essa é a parte complicada. E sem falar que a gente não fechou a [presidência da] Câmara. Nós temos documento assinado que fala em apoio no segundo turno e governabilidade. A gente seria governo de qualquer jeito. Está no papel que o prefeito assinou, nos oferecendo participação no governo. Mas a presidência não estava no acordo.
AN - Mas o prefeito disse, num dos trechos da entrevista ao AN, que apoiaria o senhor se houvesse consenso...
Sandro - Não, não, não. Nunca foi falado isso. Desde o começo, foi falado o seguinte: "nós precisamos dar a presidência [da Câmara] para o PMDB". Nunca foi falado em consenso. O PT e o PMDB já estavam fechados. A gente iria a reboque.
AN - Há alguma possibilidade de o PPS entrar na base do governo Carlito Merss?
Sandro - É difícil hoje. A gente [PPS] disse que era governo, mas o prefeito disse que não nos queria. Agora, assumimos a postura de um partido de oposição, e pronto.
AN - Então não tem jeito de o PPS entrar na base do governo do PT?Sandro - O PPS se propõe a ajudar o governo. Já entrar na base do governo é uma coisa mais delicada. É voltar a se comprometer com quem não quis se comprometer contigo. Nós falamos, desde o início. Nós somos governo. Estava até ficando feio para mim. É muito difícil o PPS voltar para a base aliada.
AN - O que teria de acontecer para o PPS voltar para a base?
Sandro - Não vejo possibilidade de volta. Vejo que a oportunidade foi dada pelo PPS e hoje vejo chances remotíssimas de volta ou mesmo de um acordo. O PPS se coloca à disposição para ajudar o prefeito. Mas o PPS, hoje, não abre mão de ser oposição ao prefeito Carlito Merss. Por uma escolha do prefeito. Agora também do PPS. Foi ele [o prefeito] quem disse, desde o começo, que nós éramos oposição. E a gente gostou da ideia. Somos oposição. Por mais estranho que seja. É claro que não vamos querer nada de ruim para a cidade. Mas, nossa postura hoje, é realmente de fiscalizar e questionar, como oposição, esse governo.

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