domingo, 19 de abril de 2009

AN - Como é comandar uma Câmara dividida, com dez oposicionistas e nove governistas?
Sandro - Não tenho lembrança de quando a Câmara esteve desse jeito. O que dá pra dizer é que a Câmara, depois de muito tempo, não é uma secretaria do prefeito. O presidente era um secretário do prefeito. Hoje, a Câmara está falando de igual para igual com a Prefeitura, tem sua independência, de fato.
AN - É difícil comandar uma Câmara dividida?
Sandro - Não é fácil, mas não tenho do que reclamar. Os vereadores são líderes. E, nessa legislatura, você tem nove vereadores que são oposição à mesa diretora, o que torna as coisas um pouco mais difíceis. Mas me dou muito bem com todos [cita diversos nomes]. É claro que, dependendo do assunto, há muito questionamento e discussão. Então, não é o céu, mas fica muito longe de ser o inferno.
AN - O que o senhor pode fazer para evitar a radicalização dessa divisão?
Sandro - É diálogo. É preciso conversar muito, ouvir muito, e tem que ter alguém que fale pelos dois lados. Nós temos pessoas articuladas como o vereador Maurício Peixer [do PSDB] e o vereador Odir Nunes [do DEM]. Eu tenho buscado esse contato com o vereador Manoel Bento [do PT]. Mas é preciso que, do outro lado, também exista esse líder, que trabalhe para não acirrar os ânimos.
AN - E a Câmara tem conseguido manter esse equilíbrio?
Sandro - Não tivemos nada que colocasse em choque a oposição e a situação. É claro que, em questões como a divisão das comissões [escolha dos presidentes], foi inevitável discutir. Na criação da CPI [das Contas], também foi inevitável. No conselho de ética, também foi inevitável. Só que isso é espaço. Excetuando essas questões, que é briga de espaço, não se tem nenhuma dificuldade de convivência entre os dois lados. E nenhum lado tem prejudicado, de maneira intencional, essa convivência. Os dois lados não se amam, mas ao menos se suportam. É o suficiente.
AN - O que é feito com os resultados das sessões itinerantes?
Sandro - A Câmara, nas duas sessões itinerantes [uma no Ulysses Guimarães e outra no Comasa], pegou as reivindicações da comunidade e encaminhou para a Prefeitura, por meio de moções. E é isso que cabe a Câmara de Vereadores. Agora é cobrar. Querendo ou não, na verdade, o vereador foi feito para legislar e fiscalizar. A gente legislou ao enviar as moções e vai fiscalizar cobrando ações.
AN - Nesses cem dias, o senhor e o prefeito tiveram apenas um encontro oficial, em que o senhor ficou três semanas esperando a data ser marcada. Qual é a sua relação com Carlito Merss hoje?
Sandro - Não tem [relação]. Não tem relação por causa dele [Carlito Merss]. Tenho buscado. Não estou atrás de cargos na Prefeitura. Só quero uma boa relação entre os dois poderes. Sei que é saudável para a cidade. Então, aquele encontro foi marcado pelo vereador [Manoel] Bento [PT], depois que cobrei na tribuna. Assim que assumi, dia 5 de janeiro, pedi uma audiência com o prefeito, mas não fui atendido. Outra coisa: pedi uma audiência, faz 20 dias, com o prefeito e os agentes de saúde. E, mais uma vez, não fui atendido. Soube, depois, que marcaram a audiência no mesmo dia e avisaram os agentes, só que não me falaram nada. Não quero me gabar, mas sou a terceira pessoa na hierarquia da cidade, e o prefeito não me atende? É ruim.
AN - Então há dificuldades de relacionamento?
Sandro - E a dificuldade foi criada pelo próprio prefeito. Disse: "sou governo, sou governo, sou governo". E ele disse: "não é, não é, não é". O prefeito disse que conseguiria governar, mesmo tendo minoria. Aí ele vai para o jornal pra dizer que está ruim, que não consegue, que está difícil, que tem rolo compressor. Não é culpa nossa. Eu, o vereador Juarez [Pereira, do PPS] e a vereadora Dalila [Leal, do PSL] estávamos dispostos a conversar. Pouco importa de quem veio o apoio para ser presidente [da Câmara].

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