domingo, 19 de abril de 2009

AN - Só que o Executivo não tem mandado muitos projetos para o Legislativo...
Sandro - Mandou cinco até agora...
AN - Mas o prefeito Carlito Merss disse, em entrevista a "A Notícia" publicada no domingo passado, que tem mandado projetos quase diariamente...
Sandro - Pois é. Se fosse assim, quase todo dia, teria de ter uns 90 projetos do prefeito aqui. Tem uma contradição aí...
AN - A falta de projetos do Executivo não amarra o Legislativo?
Sandro - Quem não está produzindo é o Executivo. A Câmara está trabalhando: são 49 projetos de lei ordinária, 11 leis complementares e quatro decretos. Somando tudo, são 64 trabalhos no início do mandato, em dois meses efetivos de trabalho [o trabalho na Câmara de Joinville foi retomado em 3 de fevereiro]. A Câmara está trabalhando. É o Executivo que está se esquivando ao não mandar nada.
AN - Na mesma entrevista, Carlito Merss disse que não mandará nenhum projeto polêmico à Câmara, que teria virado um rolo compressor da oposição. É verdade?
Sandro - O problema é o seguinte: ou o prefeito tem alguém que articule, ou vai continuar passando trabalho [na Câmara]. Olha só. São oito comissões. O prefeito falou que não demos nenhuma para os vereadores governistas. E, na verdade, eles (vereadores governistas) tem três. É verdade que as três são consideradas pequenas. Só que o vereador Juarez [Pereira, do PPS] está com uma pequena [preside a Comissão de Saúde], e está fazendo um baita estrago. Está trabalhando. É claro que os vereadores não entregariam o comando de comissões como Legislação, Finanças e Urbanismo. Agora, dizer que não demos nenhuma pra eles [vereadores governistas], aí é um grande exagero.
AN - Está faltando um pouco mais de iniciativa dos vereadores governistas?
Sandro - Sempre digo: "quem faz a faculdade é o aluno". Qualquer comissão pode ser uma porcaria se a pessoa que está lá não trabalhar. O [ex] vereador [Marco Aurélio] Marcucci (do PSDB) fez um excelente trabalho na Cidadania. Então, só precisa se virar, se mexer. É melhor trabalhar do que ficar se lamentando.
AN - Então está faltando um pouco mais de trabalho...
Sandro - Não são essas as palavras [risos]. O negócio é pegar o que se tem e fazer do limão uma limonada. É fazer a coisa andar e trabalhar com o que tem. A política é assim. O prefeito está reclamando, mas já foi parlamentar, foi governista [quando ocupou o cargo de deputado federal]. Sabe como funcionam as coisas quando se é governo e quando se tem a maioria. Então...
AN - Mas existe um rolo compressor?
Sandro - Não, não existe. Se existisse, a gente estaria fazendo isso com todos os projetos, como o do Fundeb, que garantiu a liberação de R$ 3 milhões para a Prefeitura. Se a gente quisesse, não aprovaria e pronto. Só que não há o objetivo de prejudicar. Outro exemplo é a CPI (das Contas). O prefeito falou que a gente montou a CPI como a gente quis. A Tânia (Eberhardt, do PMDB) é a relatora da CPI. Se fosse como a gente queria, teríamos o presidente e o relator. Sem contar que a CPI está montada como Osmari Fritz (vereador do PMDB que solicitou a abertura da investigação) pediu. Como o requerimento era muito amplo, tivemos que dar um foco, até porque tinha que explicar o que deveria ser investigado. Só que não foi como a gente quis.
AN - Mas é claro que houve interferência da oposição...
Sandro - Não. Só pedi para [Osmari Fritz, do PMDB] adequar o requerimento, até porque o departamento jurídico me alertou para a necessidade de [a CPI das Contas] ter um objeto. E isso foi feito. Agora, se tem conversa política ali e aqui, nos bastidores, é outra questão.

Nenhum comentário: