domingo, 19 de abril de 2009

AN - Como o senhor avalia os primeiros cem dias do governo Carlito Merss?
Sandro - [Faz uma careta] A cidade carece de algumas coisas. Tenho andado nas ruas e as pessoas me perguntam: "Sandro, como faço para asfaltar minha rua?" Não sei. Não há uma política de pavimentação. "Sandro, como faço para conseguir uma casa pela Secretaria de Habitação?" Não sei, porque não tem uma política habitacional, só tem projeto. Mas não sei qual tem que ser a média salarial para conseguir terreno ou casa. Nem sei quantas pessoas podem morar nessa casa. Não sei quais serão os bairros que vão ser atendidos primeiro. Quem terá prioridade naquela lista de dez mil [pessoas cadastradas]. Não tem. Não recebi nada disso. Só que o prefeito fala que tem. Não tem política de pavimentação, não tem política de habitação, não tem política efetiva de saúde. Não tem. O que o prefeito está fazendo é apagar incêndio. O que foi feito até agora? Você não vê nada e diz: "isso já tem a cara do PT".
AN - Então, pelo que o senhor está dizendo, esses cem dias...
Sandro - O que se fez, nesses cem dias, foi apagar incêndio. Foi feito vistoria nos parquinhos porque morreu uma criança [Kelly Kruger, que morreu em um acidente em 3 de março, quando brincava no balanço do CEI do Espinheiro]. O Hospital São José está o mesmo buraco negro. Não mudou muita coisa. Por mais que se fale que foi feito isso e aquilo, a comunidade não sentiu diferença nenhuma. É o que a gente ouve nas ruas. Está tudo a mesma coisa. Não foi apresentado nada de diferente. O que está aí é o que já tinha. Não tem nada de novo. Então, na minha avaliação, é uma continuidade do governo anterior. Só está continuando o que o Marco Tebaldi [ex-prefeito, do PSDB] já estava fazendo. Quando Carlito Merss fala que não quer mandar a reforma administrativa, comprova que está usando a mesma estrutura do governo anterior. E tem que arrumar, só que fala que não dá pra mandar [a reforma administrativa]. E pra que tem líder de governo aqui [na Câmara]? Eu falo com os vereadores - e não é sacanagem - e todos dizem: "não tem problema nenhum mandar [a reforma]". Por que o prefeito está com medo? Questionamento, é inevitável que tenha, como ocorreu com a reforma administrativa da Câmara.
AN - Se a reforma viesse hoje, o senhor acredita que seria aprovada?Sandro - Tenho quase certeza que sim. O governo não pode é se privar de conversar, de dialogar. Se o prefeito vai aos bairros falar do PPA, por que não vem na Câmara?. Estamos aqui para ouvir. A única dificuldade é deles, que nunca tentaram conversar. O vereador [Manoel Francisco] Bento [líder do governo], até hoje não veio falar comigo sobre reforma. E tem muitos órgãos [públicos] falando comigo: "nós temos que reformar". E eu digo: "manda pra lá que a gente mata no peito". Não procede esse medo que o prefeito diz que tem. É fazer com que a opinião pública se volte contra os vereadores. O prefeito precisa designar alguém que efetivamente converse com os vereadores. Vamos para três meses de trabalho aqui e nunca foi falado efetivamente sobre a reforma.
AN - Ninguém fez esse papel de interlocutor?
Sandro - Não. Nem o próprio vereador [Manoel Francisco] Bento. Ninguém veio dizer: "tem que mudar, tem que alterar a estrutura administrativa". Ninguém veio falar nada. E que dificuldade há de aprovar essas coisas? Não tem. Essa coisa de dizer que a Câmara é rolo compressor, não aprova nada, é campo de guerra, isso e aquilo. Não. Repudio esse tipo de atitude do prefeito.

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