Escreveu recentemente um economista que os empresários temem uma forte recessão no futuro, daí o volume recorde de demissões verificado em dezembro. O fato é que a primeira providência que adotaram foram as demissões indiscriminadas, muitas delas unilateralmente sem consulta aos sindicatos de trabalhadores, que tiveram de correr atrás do prejuízo, com mobilizações e tentativas de negociação com o patronato.
As empresas foram surpreendidas com a redução das exportações e com a escassez de crédito externo, mas a margem de lucro de alguns segmentos econômicos não se altera jamais. Quanto aos trabalhadores, sob a ameaça do desemprego, são obrigados a aceitar a redução de horas de trabalho com a adequação dos salários à jornada reduzida.
Terminado o ciclo de crise porém, o empresariado não oferece nenhuma contrapartida aos empregados que se sacrificaram.
Há muito os trabalhadores propõem a redução da jornada de trabalho semanal (sem prejuízo dos salários, é obvio), saída viável para manter os postos de trabalho, diante de fatores como o avanço da tecnologia.
A última redução ocorreu há mais de 20 anos, em 1988, com a mudança da Constituição, quando a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas semanais. Passado tanto tempo, o empresariado se recusa a discutir uma nova redução.
Ainda é cedo para avaliar a extensão dessa crise inoportuna, originada de fora para dentro, que chegou após um período de conjuntura internacional favorável, justo quando experimentávamos algum tempo de prosperidade.
No início, Lula atribuiu a responsabilidade da crise ao governo Bush e disse que cabia a ele e aos países desenvolvidos reverter a situação.
Sua reação foi sintomática de um governo que subestimou a situação e perdeu a oportunidade de adotar iniciativas, como a revisão da estrutura da carga tributária, a política de juros e os investimentos do PAC, que foram anunciados com a pompa do "nunca antes nesse país", mas que pouco saíram do papel.
*Davi Zaia é deputado estadual (PPS) na Assembléia Legislativa de São Paulo
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