segunda-feira, 9 de junho de 2008

LIVRO MOSTRA BASTIDORES DA CAMPANHA PUBLICITÁRIA DE LHS

Ele foi contratado meses antes da eleição de 2006 para mostrar as maravilhas da descentralização, de como o projeto de Luiz Henrique era inovador e que finalmente a administração do estado se fazia presente “por toda Santa Catarina”.
Em menos de dois anos sua presença se tornou um fardo, perigoso e inconveniente. O personagem em questão é o jornalista Ivonei Raul da Silva, ou simplesmente Nei Silva, proprietário da Revista Metrópole, que foi preso – na versão divulgada pela polícia em flagrante, por agentes da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) na manhã da última segunda-feira (2), na Capital, sob acusação de tentar extorquir R$ 1,6 milhão do governo do Estado para não divulgar um livro com supostas denúncias contra o governador, secretários e prefeitos.
O jornalista nega a versão da polícia, diz estar sendo vítima de uma armação e assegura que pretendia apenas cobrar uma dívida com o governo. A Revista Metrópole foi uma das publicações juntadas no processo de cassação do governador Luiz Henrique e que ainda pode lhe custar o mandato por abuso de poder econômico e propaganda irregular.
As matérias, publicadas antes da corrida eleitoral de 2006, o próprio jornalista admite, eram verdadeiras peças publicitárias, sempre enaltecendo ações do governo e o projeto de descentralização. Em seu livro, Nei Silva declarou ainda que as “reportagens” foram pagas com dinheiro público (Estado e prefeituras) ou por empresas indicadas pelo governo, que na época estava proibido de fazer propaganda institucional por conta de uma decisão judicial.
E além de não receber, Silva também acabou devendo. Ele foi multado duas vezes em R$ 21 mil pelo TRE, reclamou ajuda, não recebeu, e desde então suas relações com o governo azedaram de vez. O acordo com o governo, diz, previa a publicação de três revistas, instalação de 100 outdoors pelo interior de Santa Catarina e a realização de pesquisas de intenção de voto para consulta do governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB). Em contrapartida, ele receberia R$ 500 mil. Mas, apenas parte do dinheiro lhe caiu nas mãos, com as multas apertando e sem receber o combinado, resolveu editar o livro.
Livro compromete muita gente
Há detalhes minuciosos desta relação com agentes do governo, autoridades e empresários que recheiam as páginas do livro que ganhou o nada sutil título “A Descentralização no Banco dos Réus”. São mais de 300 páginas com degravações de conversas com autoridades e empresários que nem imaginavam estar sendo gravados, cópias de documentos, relatos e especialmente fotos de muito dinheiro vivo que eram repassados em sacos de lixo.
O próprio Luiz Henrique, em uma reunião na cidade de Itá, teria conclamado os secretários presentes a viabilizar a revista. “Quero apoio irrestrito para esta publicação. Conto com todos vocês, precisamos de R$ 500 mil e, se sendo governo não conseguirmos levantar esses recursos, que governo será este? Quem for contra mim que se manifeste agora”, teria dito o governador na pagina 86 do livro.
Mas, o governador teria encontrado uma saída para Nei Silva receber algum dinheiro em Joinville: “... então nos encaminhou ao empresário Moacir Bogo, ex-presidente da Associação Empresarial de Joinville...Foram R$ 20 mil. Mais tarde, Bogo encaminhou um anúncio, que solicitaria na seqüência não ser publicado, pois tinha concessão de transporte e não seria bom vincular ao governo do estado. Já a relação de pagamento, honrou o compromisso na data aprazada.”O empresário Moacir Bogo negou o contato, que não tem conhecimento do assunto e que não conhece o jornalista.

Wander Weege e Rui Barbosa
Ainda do Norte do Estado, um aporte de peso na busca de dinheiro entre amigos empresários. Mas neste caso acontece algo inusitado, quase uma tirada, como ficou registrado nas paginas 108 e 109 do livro: “A publicação acabaria recebendo um reforço de peso, através da participação da Malwee, encaminhado que fui para o sr. Wilmar Robock … ele levou o pedido ao diretor da empresa, Wander Weege. Este autorizou com uma ressalva: não queria mídia, mas um espaço de uma página de contracapa para uma mensagem subliminar aos catarinenses … a transcrição de histórica mensagem de Rui Barbosa: - De tanto ver triunfar as nulidades e a desonestidade chego a sentir vergonha de ser honesto”.
Ministro Ari Pargendler é o relator do caso LHS/revista metrópole no TSE
Sobre as publicações aparentemente levadas a efeito sem recursos públicos. Suplementos especiais veiculados em vários jornais de SC e na revista Metrópole“Há prova farta nos autos que a publicidade institucional o governo do Estado de Santa Catarina favoreceu a candidatura de Luiz Henrique da Silveira mediante promoção de seus feitos enquanto governador daquele estado.... emitir no custo da publicidade institucional o preço da propaganda dissimulada em outros espaços.”“Apenas porque já é suficiente para a procedência do pedido o reconhecimento de que a publicidade institucional, paga, veiculou propaganda pessoal, deixo incorporar esse fundamento a motivação do voto. Com essas considerações após a conclusão eu voto com o relator.
E a revista Metrópole, que tem o governador Luiz Henrique na capa diz descentralização: Luiz Henrique da Silveira colhe primeiros resultados também do segundo plano de governo. Essa edição mostra os feitos de onze secretarais de desenvolvimento regional. Digo eu: tais publicações sequer passam por arremedo de notícia. Constitui matéria incontestavelmente promocional.
Na justificativa de Ari Pargendler, que votou pela cassação do mandato de LHS, o ministro cita os jornais “O Informe” e “Voz Regional”, além da revista “Metrópole”, que publicaram material encartados em suas edições, elogiando as “realizações de LHS. “Dizer que os encartes são matérias jornalísticas é no mínimo vergonhoso”, afirmou ministro.

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