quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

FELIZ 2018! O pesadelo, a oração e o sonho!

 
Essa noite eu tive um pesadelo. Sonhei que vivia em um país onde tinha a maior taxa de juros real do mundo, uma dívida bilionária, estados quebrados, o povo vivia trancados dentro de suas casas com medo da violência e as pessoas tiravam proveito uma das outras.
Nesse sonho eu vi pessoas que moravam nas ruas sem qualquer esperança, crianças que não tinham carinho, nem escola, calçados, nem vestuário. As pessoas tinham sido enganadas e eram tratadas como mercadorias, sem qualquer direito trabalhista.
Lembro-me que fiquei muito triste, pois no sonho parava na frente de uma televisão e via nela políticos rindo da cara do povo, roubando nossas riquezas, legislando em seu favor e tirando do pobre povo sofrido os poucos direitos adquiridos.
Nesse pesadelo, o presidente era odiado por muitos e desprezado por outros, mas vivia em um palácio muito feliz com sua princesa, dividindo a riqueza roubada do povo com sua corte, enquanto o pão e a agua eram distribuídos aos poucos e de forma insuficiente.
De repente dei um pulo, acordei-me assustado e triste não conseguindo mais fechar os olhos, então resolvi fazer uma oração: Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, ajuda-nos a sair dessa situação e peça ao seu filho Jesus de Nazaré que proteja essa terra de Santa Cruz contra a maldade de seu próprio povo e a indiferença dos irmãos.
Nem bem terminei a oração e voltei ao sono, desta vez estava numa rua comprida e calma, sem muitas pessoas e aparentemente sem sofrimento, continuava a vagar querendo chegar a algum lugar. Num certo momento encontrei um senhor de barbas e cabelos longos, chegando próximo eu perguntei, quem é o senhor?
Ele me respondeu - Sou aquele em que confias e o mundo comemora em dezembro meu aniversário. Sem me atentar perguntei: Papai Noel?
Rindo me respondeu: - não, brasileiro gosta de acreditar em Papai Noel e que as coisas vão melhorar sozinhas, mas eu sou o filho daquela em que pediste ajuda.
Neste momento assustado me ajoelhei e pensei em pedir algumas coisas para mim, mas só tive forças para proclamar: Meu Jesus ajude o nosso Brasil, o que podemos fazer para as coisas melhorar e quem poderá mudar nosso país?
Quase sumindo no horizonte ele me respondeu: Você tem muita fé e isso vale a pena, porém a fé vem sendo depositada em pessoas erradas, não será o político que mudará o Brasil, a fé e a esperança devem ser depositadas no eleitor, este sim tem o livre arbítrio de escolher seu futuro e colocar alguém que realmente lhe represente.
Imediatamente perguntei, quando será isso?
Mas aquele homem de semblante resplandecente havia sumido, porém a resposta eu já sabia, outubro de 2018! E dormi serenamente o resto da noite.
A todos os amigos, um Feliz 2018 com fé, esperança e determinação de fazermos mais e melhor!

Cristovam Buarque: É a educação, gente!

 
Quase sempre a permanência de um problema está no entendimento equivocado de suas causas. A pobreza e a concentração da renda continuam, apesar do crescimento econômico, porque é um erro entendê-las como problemas da economia, que seriam superadas pelo aumento da produção e do rendimento.
Ao longo do século 20, o Brasil foi um dos países que mais se desenvolveram, mas a renda se manteve concentrada e o país continua campeão em desigualdade social. Erramos no enfrentamento da questão, ao esperarmos que esse problema seria resolvido pelos economistas e empresários.
Essa não seria uma realidade hoje se antes ela tivesse sida enfrentada pelos educadores e políticos, usando a escola, não as fábricas, como vetor da distribuição de renda. Ela não decorre de seu aumento, mas da distribuição da educação entre todos; para que todos tenham acesso aos empregos e às atividades que propiciam a renda.
Sem distribuição de educação, não há distribuição de renda, porque sem educação o trabalho livre é uma ilusão, mantendo-se, portanto, a estrutura distributiva característica de sistemas servis. Por mais que o crescimento econômico levasse ao aumento da renda social, ela não seria distribuída para os escravos. O trabalhador pobre, mesmo livre da escravidão, continua incapaz de se inserir no mercado de trabalho porque, para isso, ele depende da educação a que não teve acesso.
Entretanto, se a educação fosse bem distribuída, como em Cuba, Coreia do Norte, Alemanha Oriental, o problema da concentração se resolveria, mas todos ficariam condenados à pobreza. A frase “é preciso fazer o bolo antes de distribuí-lo” não funciona no Brasil; assim como também não funciona a frase “a distribuição antecipada faz o bolo”.
Erramos ao acreditarmos que a economia colocaria um fim à pobreza social. Ao longo do século 20, conseguimos crescer ao ponto de nos tornarmos o sexto maior PIB do mundo, mas continuamos pobres, na 98ª posição mundial em renda per capita, porque nossa produtividade está em 78º lugar no ranking.
A renda social cresceu com a população, não com a capacidade de cada brasileiro de produzir. Enfrentamos o fim da pobreza pela economia e não pela formação de mão de obra qualificada. Com isso, a pobreza se manteve. Ao lado da baixa produtividade, não crescemos mais por causa da enorme preferência nacional pelo consumo imediato e pela baixa propensão nacional à poupança, o que impede investimentos que dinamizariam a produção.
Nós, economistas, fracassamos por não levarmos em conta que o problema não decorre da economia, mas da mentalidade nacional, da consciência, da educação que forma o individualismo, o consumismo, o corporativismo.
A pobreza, a concentração de renda, as visões imediatistas, consumistas e individualistas, sem um sentimento coletivo de nação, levariam quase que fatalmente ao maior de nossos problemas: a brutal violência que caracteriza a sociedade atual. Mais uma vez, por erro de foco, enfrentamos a violência como uma questão de polícia, não de escola.
Décadas atrás, nossos educacionistas, especialmente Darcy Ribeiro, alertaram para o fato de que o problema da violência não seria enfrentado corretamente enquanto fosse tratado apenas como uma questão de polícia. A violência, assim como a pobreza e a concentração de renda, é uma questão de impunidade, mas é, sobretudo, a educação que reduz a desigualdade e forma uma sociedade civilizada e pacífica.
A corrupção está, finalmente, sendo enfrentada por juízes, policiais, promotores e procuradores, mas não será vencida enquanto não for enfrentada pelos eleitores. O juiz consegue prender político corrupto, mas não elege político honesto. Isso só vai acontecer quando o eleitor for educado: primeiro, para não precisar sobreviver das promessas dos candidatos e dos favores de eleitos; segundo, para discernir as diferenças entre os candidatos.
A educação de um indivíduo não o faz mais honesto, mas a educação de todos os indivíduos faz um povo mais preparado para eleger pessoas decentes e sem demagogias, e com melhores e mais sérias promessas para o futuro. Há décadas tentamos garantir competitividade sem produtividade, usando subsídios, isenções fiscais e protecionismos. Na economia moderna, a competitividade só vem da produtividade e da inovação, que dependem da ciência e da tecnologia. Essas, por sua vez, dependem diretamente da educação de base. (Correio Braziliense – 02/01/2018)
Cristovam Buarque, senador pelo PPS-DF e professor emérito da UnB (Universidade de Brasília)

Nas entrelinhas: Ameaça de extinção

 
O Congresso, tão logo acabe o recesso, será transformado numa grande feira de mandatos. A janela aberta para o troca-troca partidário virou uma festa para os donos de partidos
As eleições de 2018 podem ser o canto do cisne da maioria dos pequenos partidos no Brasil, mesmo os chamados ideológicos, em razão da reforma política que aprovou o fim das coligações a partir de 2020 e vinculou o tempo de propaganda nas rádios e tevês ao tamanho das respectivas bancadas no Congresso. Sobretudo porque o fundo eleitoral e o fundo partidário desequilibraram ainda mais a disputa em favor dos grandes partidos. Não se considera, por exemplo, o desempenho eleitoral de candidaturas majoritárias a presidente, governadores e prefeitos, muito menos de deputados estaduais e vereadores, o que seria perfeitamente possível flexibilizar, considerando o desempenho nas eleições passadas.
Na verdade, o que houve foi uma contrarreforma política, feita para salvar os partidos fragilizados pela crise ética e suas principais lideranças, cujo poder aumentou ainda mais por disporem como quiserem dos recursos dos respectivos fundos eleitorais e partidários e da distribuição do tempo de televisão e rádio entre os candidatos proporcionais. Nunca os cartórios partidários e os presidentes de partidos tiveram tanto poder como agora para influenciar a eleição de candidatos e cooptar parlamentares utilizando esses meios materiais de campanha. A reforma foi feita sob medida para isso e a derrubada do veto ao uso ilimitado de recursos pessoais na campanha ainda serviu para tirar da jogada empresários que quisessem se aventurar nas disputas à margem dos grandes partidos, como outsiders.
Esse é o jogo que está sendo jogado na eleição. O Congresso, tão logo acabe o recesso, será transformado numa grande feira de mandatos. A janela aberta para o troca-troca partidário virou uma festa para os donos de partidos que oferecem recursos para campanha aos colegas desesperados em busca da reeleição. No último prazo de mudança de partido, às vésperas das eleições municipais, um deputado federal poderia custar, no mínimo, R$ 1,5 milhão do fundo partidário como garantia de financiamento de sua campanha de prefeito. Nos bastidores do Congresso, são conhecidos os casos em que o fundo serviu de moeda para montagem de partidos políticos, que teoricamente teriam uma vaga cativa em cada estado para oferecer em leilão. A maioria dos partidos não tem orçamento, nem planejamento financeiro, os recursos são administrados como caixa-preta, ainda que depois quase tudo apareça nas prestações de contas oficiais dos candidatos. E não estamos falando de recursos de caixa dois, nos quais ninguém fala, “pero que los hay, los hay!”
Franquias
Não foi à toa que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) em que pede a suspensão imediata de trecho de emenda que garantiu aos partidos políticos autonomia para definir livremente a duração de seus diretórios e órgãos provisórios (artigo 1º da Emenda Constitucional 97/2017). A emenda foi promulgada, no dia 4 de outubro passado, pelo Congresso, como parte da reforma política. O texto estabelece normas sobre acesso dos partidos políticos aos recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão para o próximo ano eleitoral, e veda as coligações partidárias nas eleições proporcionais, neste caso, em 2020.
Raquel Dodge pede a suspensão somente do artigo 1º porque, segundo ela, o dispositivo fere cláusulas pétreas da Constituição Federal e tem caráter antidemocrático, ao concentrar o poder decisório nas executivas dos diretórios nacionais e favorecer a existência de “partidos de aluguel”. O excessivo poder das cúpulas partidárias é um fato. Roberto Jefferson, que acaba de indicar a própria filha, deputada Cristiane Brasil (RJ), para o Ministério do Trabalho, e Valdemar Costa Neto, por exemplo, mesmo quando estavam presos, mantiveram férreo controle sobre o PTB e o PR, respectivamente. Para Dodge, o aval para os partidos definirem livremente o prazo de vigência dos diretórios provisórios é um obstáculo à renovação política municipal ou estadual. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE ) já definiu que os diretórios provisórios devem ter duração máxima de 120 dias, numa resolução de 2016.
Grandes ou pequenos, os partidos mantêm por longos períodos diretórios municipais ou estaduais administrados por comissões provisórias. Dirigentes locais são nomeados a título precário e ficam sujeitos a toda sorte de imposições. As comissões provisórias tornaram-se verdadeiras franquias, oferecidas a prefeitos e governadores, que assim controlam essas legendas e, por meio delas, quem pode ou não ser candidato e em que condições. Nesse contexto, as vias de renovação da política e dos partidos acabam obstruídas, o que estimula o aumento da abstenção eleitoral e dos votos nulos e brancos, principalmente nas eleições proporcionais. A válvula de escape que ainda há, os pequenos partidos, está ameaçada de extinção. Se não houver um estouro de boiada que os favoreça, a renovação terá que se dar por dentro dos grandes partidos, o que será mais difícil ainda.
 
** Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A IRA E A URNA

 
Tudo indica que caminhamos para uma eleição em que os eleitores farão suas escolhas movidos pela raiva dos políticos atuais e não pela esperança em novos políticos. Lamentavelmente, a ira é uma má conselheira e o resultado poderá ser trágico, porque, em poucos meses ou semanas, o presidente eleito pela fúria será vítima de nova indignação Nossa maior revolta atualmente decorre da corrupção e dos privilégios que a política brasileira adota desde os tempos do Império e que têm crescido nos últimos tempos. A chamada Constituição Cidadã tem sido, na verdade, uma fonte permanente de regalias e de direitos especiais.
A raiva voltará ampliada se o próximo presidente não eliminar todos os privilégios, iniciando pelos seus e daqueles ao seu redor, também no Judiciário, no Legislativo, assim como as muitas benesses financiadas com recursos públicos que o setor privado recebe. O novo governo deverá adotar a transparência em suas decisões como forma de impedir a corrupção. Ao mesmo tempo em que selecionar colaboradores com experiência comprovada e conduta ética, também deverá, desde o início, mostrar absoluta intransigência com comportamentos inadequados no uso do dinheiro público, ou práticas preconceituosas.
Ao lado de uma postura firme, que demonstra uma ruptura com o passado, o novo governo, eleito pela ira, deverá cuidar para cumprir tudo que propuser durante a campanha. A população não aceitará novo estelionato eleitoral. Em 2013, contrariado com as promessas e com as irresponsabilidades populistas, visando votos no ano seguinte, o povo foi às ruas, sobretudo pela fraude do governo empossado em 2015.
Os discursos dos pré-candidatos em 2018 demonstram que não aprenderam. É possível imaginar o que acontecerá quando os eleitos com discurso contrário à atual proposta de reforma da Previdência incluírem outra ainda mais dura. Ou quando preferirem enganar o povo aumentando o deficit e, em consequência, provocando a alta dos juros e a volta da recessão com inflação. A ira dos eleitores não quer ouvir a verdade na eleição, mas não perdoará quando tomar conhecimento da mentira usada para enganá-los.
Ao lado da corrupção e do estelionato, a violência urbana é uma das maiores causadoras da revolta que motivará os eleitores em 2018. Muitos vão acreditar nos candidatos que se disserem contra políticos e bandidos, mesmo que tenham todas as más qualidades de muitos desses e nenhuma das boas qualidades que alguns têm. Quando o povo perceber que a proposta contra a violência não dará os resultados esperados, a inviabilidade das promessas de soluções imediatas resultará num coquetel incendiário formado por frustração e ira, que levará não apenas a impeachments, mas à desagregação da democracia e instabilidade monetária.
O povo percebeu com os últimos governos que algumas políticas sociais podem beneficiar alguns grupos e pessoas, mas não transformam o país. Mesmo assim, o eleitor irado cairá nas promessas demagógicas imediatistas. Acreditará que é possível resolver o problema do desemprego mesmo sem responsabilidade fiscal, que uma economia ineficiente pode servir ao povo pela vontade de governos populistas, que na democracia o governo tem poder absoluto. Quando perceber que isso não acontece, o novo governo será rechaçado proporcionalmente ao número de votos que os irados frustrados lhes deram.
A solução para esse risco é termos candidatos responsáveis e comprometidos com a verdade, que digam ao povo que os próximos anos exigirão sacrifícios em nome do país. Que não há futuro para ninguém se o Brasil for mal e que para ele ir bem será preciso trabalho, compreensão e sacrifício de todos, desde que se iniciando pelos de cima, a começar pelos próprios políticos. Com leis, decretos, ações explicitadas na campanha, o candidato do programa sério, responsável e patriótico pode perder a eleição, mas se ganhar plebiscitariamente, o novo presidente terá força para executar o programa referendado pelo povo.
Pena que as pesquisas eleitorais mostrem que os candidatos não estão pensando nem mesmo para os dias depois do 1º de janeiro de 2019. Parece que o futuro só vai até 30 de outubro de 2018. Parecem divididos entre os que querem usar a ira sem medo da frustração, os que não se sentem culpados da ira e pensam que o povo esqueceu suas irresponsabilidades, e aqueles que nem percebem a raiva, esquecendo que a ira, além de fazer votar errado, também acende fogo. (Correio Braziliense – 05/12/2017)
Cristovam Buarque é senador pelo PPS-DF e professor emérito da UnB (Universidade de Brasília)

terça-feira, 7 de novembro de 2017

ESPECIAL REVOLUÇÃO RUSSA: Ivan Alves Filho: Um século russo

 
O século XX – um século breve, conforme a definição do historiador marxista britânico Eric Hobsbawm – começou e acabou na Rússia. Teve início em 1917, quando os revolucionários bolcheviques liderados por Vladimir Illitch Lênin tomaram de assalto o Palácio de Inverno, num sete de novembro, em São Petersburgo. E terminou com o fim da experiência soviética – iniciada em 1921 -, com a queda de Mikhail Gorbachev, o último secretário geral do Partido Comunista, em 1991.
Muito já se escreveu a propósito do desmoronamento do socialismo realmente existente. O sistema teria sido minado por seus próprios desvios burocráticos. Ou sucumbido à poderosa propaganda ideológica do inimigo capitalista. Ou, ainda, desdenhado a questão da democracia política. Para outros, a corrida armamentista deslanchada pelo campo ocidental, sobretudo pelos norte-americanos, enfraqueceria de maneira irreversível as economias socialistas, (historicamente debilitadas, se comparadas com o desenvolvimento das potências capitalistas, com o ponto de partida delas). Tudo isso é verdade. Mas existe um outro aspecto nunca lembrado nessa questão do desmoronamento da União Soviética: o país não soube – ou não pôde – se dotar de uma base material que possibilitasse sustentar no topo relações de produção de novo tipo, livres de qualquer exploração do homem pelo homem, conforme estabelecia o ideário marxista. E sem uma base material nova, não existe modo de produção historicamente novo. É o que a marcha da História nos ensina.
O fato é que a antiga URSS fez uma revolução política mas herdou a base material por excelência do sistema capitalista – a unidade fabril. E não criou nada no lugar dela. E o mais dramático ainda estaria por vir: a base material da sociedade sem classes – representada pela revolução técnico-científica em curso no mundo há pelo menos três décadas, com base na automação – surgiria primeiro no Ocidente capitalista. A base técnica dessa sociedade, bem entendido – e não a sua base social e política. É como se a Revolução Russa de 1917 tivesse colocado a política na frente da economia (ou das forças produtivas, mais concretamente) e o Ocidente tivesse feito justamente o contrário disso.
Seja como for, a União Soviética não somente deixaria de modificar essa base material (o capitalismo, diga-se de passagem, mudou a base do feudalismo, o que possibilitou explodir de fato com as relações servis de produção, reforçando assim o próprio capitalismo) como também manteria as relações assalariadas de produção já presentes no capitalismo. E o que é ainda mais sintomático, o capital permaneceria intocado também no interior do socialismo real. A pergunta parecia ser: o que fazer com ele?
O que o socialismo real modificaria estruturalmente, então? Na verdade, apenas o estatuto formal dos meios de produção, doravante sob o controle do Estado, não necessariamente socializado. É preciso reconhecer isso. Não é demérito. É que não havia condições de se caminhar mais longe do que isso, dada as condições da sua implantação. No fundo, os bolcheviques contavam com o pipocar da revolução na Alemanha, área mais avançada, para viabilizar de fato a Revolução Russa. Tanto que o idioma oficial da III Internacional, criada em 1919, era o alemão.
Problemas fundamentais que têm que ver com o caráter da gestão, tão ou mais importantes até do que o próprio estatuto da propriedade, foram praticamente postos de lado. Afinal, se apropriar dos meios de produção é inseparável de se apropriar dos meios de gestão – ou deveria ser. Pior ainda: a ideia de socialismo se restringia à esfera econômica, mais concretamente às nacionalizações operadas no âmbito da indústria. Vale destacar ainda que o próprio Karl Marx evitava se referir ao termo socialismo: para o filósofo e ativista alemão o que havia, na realidade, eram duas fases do comunismo, uma inferior e outra superior. Está na Crítica do Programa de Gotha.
E a relação com a propriedade assim como a relação de exploração do trabalho não eram as únicas apontadas por ele como responsáveis pela alienação do homem. Ou seja, a coisificação crescente do ser humano e a opressão exercida pelo Estado sobre ele foram ignoradas pelo socialismo realmente existente. Vale dizer, são muitas as áreas da experiência humana que mereceram a atenção de Marx, e não apenas a opressão econômica. Contudo, acabou prevalecendo a redução da “etapa inferior” do comunismo à simples organização de um sistema econômico com base nas empresas estatais. Deu no que deu.
Na seara política, prevaleceria um absolutismo próximo daquele vigente na Europa do Oeste durante o século XIX. Absolutismo esse que deitava raízes no velho czarismo, é bem verdade – mas que o fechamento da Assembleia Constituinte pelos bolcheviques só agravaria. Na realidade, os líderes políticos russos viraram as costas a algumas das mais caras práticas democráticas presentes desde o final do século XIX no movimento socialista e operário europeu, como os direitos de greve, de reunião e de voto. Ora, se essas conquistas foram obtidas sob o capitalismo, mais uma razão para que fossem mantidas por aqueles revolucionários. Questão complexa esta da democracia.
O fato é que a Revolução Russa teve dificuldades em assimilar o que a civilização humana havia produzido de melhor, até então. E a democracia é justamente isso: um conjunto de valores civilizatórios, em que despontam conquistas como o habeas corpus, que data do Império Romano. A tradição autoritária russa – uma área de frágil presença da sociedade civil, frequentemente engolida pelo Estado, em prática nitidamente “oriental” – acabou falando mais alto.
A extraordinária contribuição da União Soviética à luta contra o nazismo não seria, infelizmente, assimilada internamente no sentido de uma abertura política. Mesmo assim, os comunistas ajudaram a consolidar a democracia no Ocidente, participando de governos de União Nacional, como na França e na Itália, e estimulando políticas de frentes populares. Propuseram a importantíssima política de coexistência pacífica entre regimes sociais diferentes. E o papel dos comunistas nas lutas pela descolonização também foi digno de nota, com destaque para seu apoio inabalável ao povo do Vietnam. Os comunistas da III Internacional – é preciso dizer – também fizeram sua parte na luta contra a barbárie. Lamentavelmente, por momentos também mergulharam nela, como no período stalinista.
No fundo, a grande diferença entre a proposta comunista e a capitalista é de natureza antropológica. Ou seja, reside na batalha pela desalienação do homem em todos os planos da sua existência, do econômico ao modo de vida. Uma batalha pela superação daquilo que Marx denominava por “pré-história” do homem. Não basta mudar a sociedade; é preciso também mudar a própria civilização. A rigor, a Revolução Russa ficará para a História como uma espécie de ala esquerda da sociedade industrial.
A História ensina que, com todas as limitações de uma primeira experiência revolucionária, a luta pela preservação da Revolução e a montagem de um Capitalismo de Estado – a definição é do próprio Lênin, em seus escritos sobre o caráter da Rússia pós-1917, mais exatamente em seus artigos econômicos – liberaria uma energia extraordinária, como que represada por longos anos na velha Rússia dos czares. É que havia a esperança de uma mudança radical no modo de vida. E, em vários setores do conhecimento e da prática humanas, essa esperança se concretizou. E isso também é inegável, é preciso que se reconheça. Da servidão à industrialização: a Rússia, em pouquíssimas décadas, passou de um país de servos a um país onde os proletários almejavam, pela primeira vez na História, chegar ao poder. Tudo isso não é pouco mesmo.
Os artistas e a arte russa e soviética materializariam esse início de mudança – para melhor, imagino – das fontes da vida no chamado socialismo real. É o que a própria realidade objetiva nos diz. Vejamos a coisa de perto. O cinema documental, com Dziga Vertov à frente, nasceu durante o processo revolucionário russo. Seu belíssimo “Três cânticos para Lênin” até hoje emociona as plateias do mundo inteiro, pela força de suas imagens, até por uma certa aspereza que delas emana. Fascinante, realmente. Serguei Eisenstein, pelo lado do cinema ficcional, dirigiu e montou verdadeiras obras-primas, como “Outubro”, “Ivan, o Terrível” e “Que viva México!” (este último inacabado. Os soviéticos chegaram então a sondar Glauber Rocha para terminar o filme.). Como esquecer um criador como Eisenstein, se ele já pertence ao patrimônio cultural da humanidade?
Se caminharmos para o lado das artes plásticas, impossível deixar de mencionar os nomes dos criadores russos Marc Chagall (que chegou a ser comissário do povo ou ministro no novo governo da Revolução), Malevitch e Kandinsky, verdadeiros ícones da modernidade, compreendendo aí os experimentos com as linguagens abstratas na pintura.
E a história se repete na poesia, na dramaturgia e na novelística, onde despontam nomes como Maiacovski, Essenin, Bloch, Meierhold e Máximo Gorki, todos de primeiríssima linha. A influência desses artistas e escritores extrapolou a própria cultura russa, encantando o conjunto da cultura ocidental.
O que dizer ainda? No terreno das práticas educacionais, não podemos esquecer tampouco o nome de Makarenko. O pensamento revolucionário russo não ficaria atrás: teóricos como Lênin, Bukharin, Lunacharski e Trotsky enriqueceriam a compreensão dos fatos políticos no século XX. E é preciso reconhecer que o próprio Josef Stalin, em que pese seus erros e crimes brutais, foi autor de um estudo dos mais rigorosos sobre a questão da nacionalidade. Difícil encontrar um país como a Rússia, decididamente.
Revolução, pelo visto, também é cultura. Esta, talvez, uma das heranças mais memoráveis de 1917 – talvez até a principal delas. E essa memória aquece os nossos corações, irremediavelmente esperançosos, apesar das vicissitudes da História recente.
Na velha Rússia, e também fora dela.
* Ivan Alves Filho é jornalista, historiador, autor de mais de uma dezena de importantes livros, o último dos quais é O Homem e o Tapeceiro, editado pela Fundação Astrojildo Pereira

ESPECIAL REVOLUÇÃO RUSSA: Luiz Carlos Azedo: 100 anos depois



O centenário da Revolução de Outubro, por causa da adoção do calendário gregoriano pelos russos, um legado dos bolcheviques, comemora-se hoje. A Revolução Russa, que começou em fevereiro, com a destituição do czar Nicolau II, provocou grande entusiasmo entre os intelectuais brasileiros antenados no mundo. Já naquela época, havia socialistas de diversos matizes nos nossos meios intelectuais, mas o que predominava no movimento operário e sindical, que promoveu uma onda de greves por todo o país naquele mesmo ano, eram as ideias anarquistas.
Foi nesse meio que surgiu o Partido Comunista, sob a liderança de Astrojildo Pereira, em 1922, o mesmo ano da Semana de Arte Moderna de São Paulo. A mesma divisão que ocorrera na Rússia entre social-democratas e comunistas, a partir da tomada do poder pelos bolcheviques, se reproduziu em todo o mundo. No Brasil, não foi muito diferente. Num período conturbado da República, que estava sob comando das oligarquias, muitas das quais remanescentes do regime escravocrata, o antigo Partido Comunista (PCB) era uma seção da III Internacional, refletia a doutrina e seguia as orientações de Moscou, em confronto aberto com os social-democratas e outras tendências socialistas.
As ideias comunistas no Brasil eram consideradas muito exóticas e pouca influência tinham na vida nacional, até que Astrojildo Pereira viajou para Bolívia com uma mala de livros marxistas, entre os quais O Estado e a Revolução, de Lênin, para um encontro com Luiz Carlos Prestes. O líder tenentista havia se exilado, depois de percorrer 25 mil quilômetros, em 11 estados, a maioria a pé, à frente de 1.500 homens, a chamada Coluna Prestes. Tornara-se um mito. Foi assim que Prestes aderiu ao comunismo, se recusou a comandar a Revolução de 1930, que considerava burguesa, e agregou o seu prestígio popular e militar ao minúsculo PCB.
De Moscou, Prestes articulou a criação da Aliança Nacional Libertadora (ANL), em 1934, da qual foi presidente de honra. Reuniu, entre outras personalidades, Herculino Cascardo (presidente), Amoreti Osório (vice-presidente), Francisco Mangabeira, Roberto Sisson, Benjamim Soares Cabello e Manuel Venâncio Campos da Paz, Moésia Rolim, Carlos da Costa Leite, Gregório Lourenço Bezerra, Caio Prado Júnior, Aparício Torelly, Miguel Costa, Maurício de Lacerda, Abguar Bastos, os ex-interventores como Filipe Moreira Lima (Ceará) e Magalhães Barata (Pará), o deputado federal Domingos Velasco e o prefeito do Distrito Federal, Pedro Ernesto.
O programa da ALN foi lido no lançamento pelo jovem Carlos Lacerda. Seguia as orientações do VII Congresso da Internacional Comunista, para cujo burô (o Comintern) Prestes havia sido eleito. Na essência, era um programa anti-imperialista e antifascista, que expressava o célebre “informe” do búlgaro George Dimitrof, seu secretário-geral, sobre unidade das forças populares na luta contra o fascismo. Mas traduzia também a radicalização política em curso no país, com crescimento do integralismo e, sobretudo, a simpatias de Vargas e de parte do governo pelo Eixo (a aliança Alemanha-Itália-Japão).
Paradigmas
Sentindo-se ameaçado, Vargas resolveu fechar a ALN, que já reunia um milhão de militantes. É aí que Prestes retorna ao país com a missão de organizar uma insurreição nos moldes soviéticos, como se tentara na Alemanha e na China, sem sucesso, o que aconteceu de forma precipitada em 27 de novembro de 1935, nos quartéis do Rio, Recife e Natal. O resto da história é mais conhecida. Foi nesse processo que se consolidou um pensamento hegemônico na esquerda brasileira, que parece renascer das cinzas sempre que surge uma oportunidade, apesar de ter se tornado anacrônico, principalmente depois da guerra fria. São ideias que não morreram completamente, mesmo depois do colapso da União Soviética e da queda do muro de Berlim, quando nada porque alguns de seus paradigmas estão vivíssimos.
Um deles é a ditadura do partido como força capaz de promover a modernização e combater as desigualdades sociais (China e Vietnã, na Ásia). Outro velho dogma é a tese de que um país periférico não pode se tornar uma nação desenvolvida sem romper as cadeias de dominação (Cuba, na América Latina). Finalmente, a tese de Lênin de que o capitalismo de Estado é a antessala do socialismo, que legitima governos autoritários em Angola, Moçambique e Venezuela. Já a Coreia do Norte é um caso à parte: ainda vive uma monarquia no “comunismo de guerra”.
Historicamente, o capitalismo de Estado foi uma via de industrialização, tanto para os regimes fascistas que tomaram conta da Europa, como para os regimes comunistas do Leste europeu. Há uma certa simbiose entre o modelo econômico e o regime político autoritário. No livro A Quarta Revolução, Adrian Wooldridge e John Micklethwait, seus autores, advertem que existe uma corrida mundial para reinventar o Estado, na qual regimes autoritários do Oriente estão levando certa vantagem em relação às democracias do Ocidente. Esse é o perigo.
 

Luiz Carlos Azedo

terça-feira, 24 de outubro de 2017

NOTA: PELA DEMOCRACIA E EM DEFESA DE ALICE FOREST


Depois de vivenciarmos pouco menos de 30 anos de democracia plena, começamos a experimentar um período preocupante, onde a intolerância, a falta de respeito ao próximo nos encaminham para um retrocesso preocupante, a imposição de ideias vem suprimindo o livre arbítrio e todos os conceitos de liberdade individual.

Alguns setores altamente preconceituosos e violentos, travestidos de conservadores de direita trabalham no vácuo das atuais instituições democráticas para aprovarem medidas que visam restringir e interferir nas famílias e na vida da população e uma das ideias encampadas é a chamada “escola sem partido”.

Esse projeto visa restringir o debate e o livre pensamento de alunos e professores, impedindo discussões que supostamente poderiam doutrinar, mas que na verdade é uma falsa ideia, pois querem exatamente doutrinar os alunos em assuntos básicos não permitindo a reflexão, o questionamento e as diferentes linhas de pensamento.

O exemplo mais recente em nosso estado foi a aluna ALICE FOREST de Lages, Santa Catarina, que por uma postagem no Facebook, onde discordou da restrição pedagógica da escola foi sumariamente suspensa e impedida de se rematricular naquela instituição.

O educandário UNIVEST distribuiu nota aos alunos e pais declarando que os estudantes não deveriam aprender sobre "sexo, ideologia de gênero, ativismo LGBT, comunismo, esquerdismo e religião". Alice e outra Aluna discordando publicamente da direção da escola foram violentadas e sumariamente condenadas.   

A Juventude Popular Socialista, de Santa Catarina, JPS-SC, ratifica o entendimento de inconstitucionalidade do Projeto, pois a ideia de neutralidade política e ideológica é antagônica à de proteção ao pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas e à promoção da tolerância, conforme consta na Lei de Diretrizes e Bases da educação.

O tal projeto visa de forma subjetiva restringir e interferir na relação professor x aluno, intervindo de forma grosseira no exercício dos direitos e garantias fundamentais, inclusive as liberdades, direitos conquistados á duras custas pelos brasileiros.

Assim a JPS-SC vem a público se solidarizar com as alunas vitimadas e repudiar a atitude da instituição Univest.

Outrossim  solicita a rápida intervenção e participação do ministério público como órgão garantidor de direitos, do sindicato das instituições de ensino e dos profissionais em educação, para que ajam rapidamente, evitando que voltemos aos anos da escuridão.

Esta juventude se estarrece com o silencio das entidades estudantis que se calam neste momento de grande violência intelectual e não exercem seu papel de representação.

Para esta Juventude, os valores fundamentais da democracia devem ser protegidos, garantidos e respeitados por todos os cidadãos e nada nem ninguém está acima da constituição da república federativa do Brasil.

Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

 

JPS SC

 

terça-feira, 17 de outubro de 2017

JPS PREPARA LIVRO PARA SEU CONGRESSO ESTADUAL



A JPS SC estará lançando em novembro um pequeno livro em homenagem a sua caminhada, contendo textos de diversos ex colaboradores e presidentes. O livro falará sobre juventude, juventudes partidárias e suas participações na juventude popular socialista.

Lista dos convidados: João Passos, Celio Kupkowski, Tonico, Alisson Micoski, Eduardo Assis, Luciano Formighieri, Jefferson Fonseca, Carina, Guilherme Pontes, Luis Felipe, Nayara Veronese, Gabriel Kazapi,  Pedro Jhoni e Bruno Marques.

 

O PERIGO REACIONÁRIO

 
Vivemos um momento de crescimento do reacionarismo no mundo e esse movimento, que se alastra a cada dia, precisa ser enfrentado com firmeza sob pena de vermos, nos próximos anos, a derrubada de conquistas históricas.
Na mira desses grupos radicais estão os direitos humanos, o direito de livre escolha, a liberdade de circulação das pessoas, a arte e até mesmo a política. Não é à toa que recente levantamento do Instituto Paraná pesquisas apontou que 43,1% dos brasileiros defendem a volta da intervenção militar no Brasil. Outros 51,6% são contra e 5,3% não sabem ou não responderam.
A pesquisa reflete a onda reacionária que tem se proliferado não só no Brasil, mas no mundo inteiro, e também o desconhecimento histórico, por parte de parcela da sociedade, sobre as atrocidades praticadas durante a ditadura militar no Brasil. A junção do desencanto com a política, falta de conhecimento e busca por um salvador da Pátria acaba desaguando em resultados como esse. E, perigosamente, abre um corredor para o crescimento de políticos que se utilizam do populismo radical e do discurso messiânico para alavancarem suas candidaturas.
Trata-se de um processo mundial que tem como sua maior exemplificação a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos. Esse mesmo movimento também vem crescendo na Europa, em países como a França e Alemanha, e em outras regiões do planeta.
No Brasil esse radicalismo cresceu com a série de escândalos de corrupção dos últimos governos e com a incapacidade das forças progressistas de enfrentar e resolver gargalos como o aumento da violência, a geração de emprego e a melhoria da qualidade de vida da população. O Brasil é hoje um país em desencanto e todo esse processo deixou o cidadão descrente da política.
Nesse cenário muitas pessoas acabam embarcando em movimentos erráticos. Uma parcela grande da população que não viveu a ditadura e não conheceu o retrocesso que ela trouxe para o país é levada a acreditar que uma intervenção militar resolveria os problemas do país. Pelo contrário, a situação se agravaria e as liberdades, conquistadas após tanta luta pela democracia, estariam em risco.
A pesquisa divulgada, e outras que apresentam resultados semelhantes, servem de alerta para o meio político que precisa urgentemente mudar as suas práticas viciadas.
A manutenção da velha política acabará por reforçar as forças retrógradas que querem ver nosso país de novo sob a mordaça do autoritarismo e do famoso bordão “prendo e arrebento”. É hora de agir, de fazer o contraponto ao discurso reacionário, e de deixar de fingir que não há uma ameaça ao nosso redor.
Nossa crise precisa ser resolvida por meio da democracia e a melhor arma para mudar o futuro do país não é o fuzil, mas o conhecimento e o voto.
 
Rubens Bueno (Dep Federeal - PPS/PR)
 
Fonte: Blog do Noblat

domingo, 8 de outubro de 2017

JPS SC: RUMO AO CONGRESSO


 


O Facebook relembra que a exatos 6 anos eu encerrava minha participação na Juventude Popular Socialista de SC.

 

Órgão de cooperação mais ativo  da estrutura partidária, a JPS/SC, sempre exerceu seu papel crítico e defensor dos princípios partidários, mesmo que muitas vezes tivesse que retumbá-los no âmago do próprio Partido.

 



Santa Catarina sempre exerceu seu protagonismo na seara da Juventude do PPS, foi assim com João Passos, seguido por Célio Kupkowski, Antonio Marco Silveira Duarte (Tonico), eu e atualmente, tendo o Eduardo Assis, como presidente.

Sempre forjados pela liderança aguerrida e a criatividade, pois ao longo do período, nenhum de seus dirigentes participou a mesa da distribuição de espaços no poder.

Lembro-me uma única vez, quando a pressão foi tão forte no comando do Partido, que fora marcada uma reunião com o governador Luiz Henrique da Silveira, no fim  me perguntaram, e vcs da Juventude o que querem de cargos? Respondi, "que o Governador possa abrir espaços para alguns  companheiros que foram candidatos a deputado estadual pelo Partido, pois é graças a eles que temos um deputado estadual", pode soar como ingenuidade, mas somos assim, nosso coletivo catarinense age em unidade e mirando o fortalecimento como um todo, pena que em outros tempos o PPS não compreendeu isso, e sofremos até hoje com essa herança.

No plano nacional,  mesmo com costumeiras dificuldades,  a seção catarinense  sempre é acionada para convergir e construir propostas, e isso é motivo de nos orgulharmos.

E agora, na caminhada congressual frente nossa realidade,  a Juventude cumpre minimamente seu papel e trabalha por sua renovação, fazendo-a na arena democrática e sob forma congressual, isso os legitima e fazem sempre ser um diferencial dos demais órgãos de cooperação.

Que venha a renovação e que nunca termine a verve provocativa que impulsiona e que nos força o debate interno!

Por Alisson Luiz Micoski
Ex Presidente JPS SC