Escândalo da Alstom pode arrastar muita gente
Este caso da Alstom ainda vai dar pano para manga. Reúne todos os ingredientes de um escândalo de grandes proporções.
A empresa francesa teria pagado quase US$ 7 milhões para obter um contrato de US$ 45 milhões para a extensão do metrô de São Paulo.
As investigações revelam também relações no mínimo perigosas com a Eletropaulo, quando ainda era uma empresa estatal.
Chefe da Casa Civil no governo Mário Covas foi à Copa do Mundo da França em 98 com tudo pago pela Alstom. (Bem feito! Assistiu de camarote àquele mico na final.)
Empresas offshore teriam sido usadas para que R$ 13,5 milhões fossem pagos como propina a políticos brasileiros, através de pagamento de consultorias forjadas.
Em resumo, grossa corrupção.
Em São Paulo, o Ministério Público Estadual decide investigar os contratos da Alstom com empresas do governo do estado, entre as quais a Eletropaulo (quando era estatal), Metrô, Sabesp, Cesp e CPTM.
Em vista disso, o que faz o governador José Serra? Tenta desqualificar a denúncia, alegando que é tática eleitoreira do PT. O “kit PT”, segundo expressão do governador.
E se for? A denúncia é verdadeira ou falsa? Existe gente do governo Covas e do governo Alckmin envolvida? Isto é que é importante.
Quantas vezes uma denúncia meramente eleitoreira não acabou revelando fatos escabrosos – e verdadeiros?
É verdade que nenhum governo gosta de CPI. Se tem maioria na Assembléia ou na Câmara dos Deputados, o governo faz valer sua maioria para abafar CPIs ou para matá-las no nascedouro.(Acabamos de assistir ao falecimento da CPI dos cartões corporativos no Congresso Nacional. O governo Lula fez valer sua maioria, e nada foi investigado.)
Rola na Assembléia Legislativa de São Paulo uma CPI para investigar a privatização da Eletropaulo, instalada antes de estourar o escândalo da Alstom. Naturalmente, a oposição tentou convocar os envolvidos no escândalo. (Quando estourou o escândalo do dossiê com as despesas pessoais do ex-presidente Fernando Henrique, a oposição também tentou convocar a ministra Dilma Roussef. É natural.)
A maioria, ligada ao governador Serra recusou todos os requerimentos de convocação. Faz parte do jogo. (Na CPI dos cartões, a maioria governista também recusou os requerimentos de convocação da ministra Dilma e de sua assessora Erenice Guerra para falar sobre o dossiê. Faz parte do jogo.)
Este escândalo da Alstom pode até ser escondido dentro do armário. Mas vai assombrar a campanha do ex-governador Alckmin, se ele insistir em ser candidato a prefeito em 2008.
Mas o governador José Serra se ilude, pensando que isto é assunto do governo Covas-Alckmin. Este esqueleto também vai sair do armário para assombrar a campanha do governador em 2010, seja para presidente da República, seja para se reeleger governador de São Paulo.
Como diz com muita precisão o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), “safadeza não prescreve”.
Lucia Hippolito - http://www.luciahippolito.globolog.com.br/
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