sexta-feira, 6 de junho de 2008

MAIS DO MESMO

Escândalo da Alstom pode arrastar muita gente
Este caso da Alstom ainda vai dar pano para manga. Reúne todos os ingredientes de um escândalo de grandes proporções.
A empresa francesa teria pagado quase US$ 7 milhões para obter um contrato de US$ 45 milhões para a extensão do metrô de São Paulo.
As investigações revelam também relações no mínimo perigosas com a Eletropaulo, quando ainda era uma empresa estatal.
Chefe da Casa Civil no governo Mário Covas foi à Copa do Mundo da França em 98 com tudo pago pela Alstom. (Bem feito! Assistiu de camarote àquele mico na final.)
Empresas offshore teriam sido usadas para que R$ 13,5 milhões fossem pagos como propina a políticos brasileiros, através de pagamento de consultorias forjadas.
Em resumo, grossa corrupção.
Em São Paulo, o Ministério Público Estadual decide investigar os contratos da Alstom com empresas do governo do estado, entre as quais a Eletropaulo (quando era estatal), Metrô, Sabesp, Cesp e CPTM.
Em vista disso, o que faz o governador José Serra? Tenta desqualificar a denúncia, alegando que é tática eleitoreira do PT. O “kit PT”, segundo expressão do governador.
E se for? A denúncia é verdadeira ou falsa? Existe gente do governo Covas e do governo Alckmin envolvida? Isto é que é importante.
Quantas vezes uma denúncia meramente eleitoreira não acabou revelando fatos escabrosos – e verdadeiros?
É verdade que nenhum governo gosta de CPI. Se tem maioria na Assembléia ou na Câmara dos Deputados, o governo faz valer sua maioria para abafar CPIs ou para matá-las no nascedouro.(Acabamos de assistir ao falecimento da CPI dos cartões corporativos no Congresso Nacional. O governo Lula fez valer sua maioria, e nada foi investigado.)
Rola na Assembléia Legislativa de São Paulo uma CPI para investigar a privatização da Eletropaulo, instalada antes de estourar o escândalo da Alstom. Naturalmente, a oposição tentou convocar os envolvidos no escândalo. (Quando estourou o escândalo do dossiê com as despesas pessoais do ex-presidente Fernando Henrique, a oposição também tentou convocar a ministra Dilma Roussef. É natural.)
A maioria, ligada ao governador Serra recusou todos os requerimentos de convocação. Faz parte do jogo. (Na CPI dos cartões, a maioria governista também recusou os requerimentos de convocação da ministra Dilma e de sua assessora Erenice Guerra para falar sobre o dossiê. Faz parte do jogo.)
Este escândalo da Alstom pode até ser escondido dentro do armário. Mas vai assombrar a campanha do ex-governador Alckmin, se ele insistir em ser candidato a prefeito em 2008.
Mas o governador José Serra se ilude, pensando que isto é assunto do governo Covas-Alckmin. Este esqueleto também vai sair do armário para assombrar a campanha do governador em 2010, seja para presidente da República, seja para se reeleger governador de São Paulo.
Como diz com muita precisão o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), “safadeza não prescreve”.

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