Lembro-me como se fosse hoje, o dia em que fui eleito presidente do grêmio estudantil do Instituto Estadual de Educação. Á 4 anos atrás, arrisco afirmar que foi um momento decisivo em minha vida, quando vivenciei a alegria de ter recebido mais de 1000 votos para presidir o maior grêmio estudantil da América Latina. Um grupo de mais de 40 jovens, dispostos a mudar o IEE, o estado e na utópica emoção do momento, acreditando poder mudar o Brasil. Porém, o tempo foi o grande professor. Com o tempo, aprendemos que nem tudo é exatamente como imaginamos ser. Percebemos que o tempo da animação e da vontade de trabalhar não é o mesmo do serviço público.
Foi com o passar do tempo começamos a entender porque fomos eleitos com o total apoio da direção, e fomos entendendo qual a justificativa para tal aproximação. Por certo, em nenhum momento fichamos as portas e definirmos estar do lado de direção, governo, ou contra os mesmos. Permanecemos livres, para reivindicar e lutar aquilo que convinha a nossa classe.
Lembro-me de dois momentos que marcaram o modelo de democracia proposto ai Instituto Estadual de Educação. O primeiro deles, quando mobilizamos os alunos para reivindicar as bolsas do artigo 170 e a direção ao saber, fechou os portões, ameaçou sanções a diretoria e aos alunos que participassem deste ato de cidadania. Não nos abatemos e levamos mais de 200 estudantes para participar deste momento. Após este momento, foram muito negativas e muitas sanções por assim termos agido. O segundo momento que recordo, foi quando levei a público tais acontecimentos e o cerceamento indiscriminado dos direitos de livre organização. A partir deste momento, demonstramos que não estávamos acuados e tampouco havíamos desistido da nossa luta. Foi o grito final de quem jamais se entregou á um modelo onde reivindicar é ser baderneiro e o normal é aceitar o que está posto.
Hoje, 3 anos depois destes anos inesquecíveis e definitivos para minha participação no movimento estudantil, o IEE vive novo momento de tensão e falta de democracia.
O diretor desta instituição, com muitos protestos e manifestações de alunos e professores, foi nomeado pelo governador. As classes não aceitavam o nome e a maneira que o processo deu-se. O poder e as a pressão por meio de um processo administrativo pararam com as manifestações temporariamente.
Os estudantes, ao tentar organizarem-se no grêmio estudantil, foram sistematicamente cerceados deste direito tão básico. Mesmo formando comissões, propondo assembléias, construindo propostas, não tiveram o direito de organizar o grêmio estudantil da maior escola deste estado.
Me sentindo na obrigação, como filho desta mãe que muito me serviu, e a pedido dos estudantes desta escola, participo deste processo difícil, por acreditar que o bem sempre vence e que dias melhores virão. Os próximos passos, certamente serão em juízo. Talvez demorem, talvez não. Talvez se resolva, talvez não. O importante é jamais esmorecer. Jamais desacreditar na possibilidade da democracia.
Afinal de contas, se eu parar de acreditar em novos dias, paro de acreditar na vida.
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