segunda-feira, 7 de julho de 2008

RODOVIAS AINDA NÃO ESTÃO PRONTAS PARA INÍCIO DE PEDÁGIO

Em 39 dias, a OHL pode começar a cobrar tarifa em quatro trechos de rodovias no Paraná. Antes, porém, a concessionária tem de executar obras


Quem trafega pelos trechos paranaenses das rodovias federais que estão prestes a ser pedagiadas precisa prestar muita atenção para notar que algo mudou nos últimos cinco meses, período em que a administração das estradas vem sendo feita pela iniciativa privada. A cobrança de pedágio pode começar, em tese, em 39 dias, mas ainda não há nem sinal da construção de praças de arrecadação e muitos problemas básicos continuam interferindo na vida dos motoristas.
Entre os dias 24 e 27 de junho, reportagem da Gazeta do Povo percorreu os três trechos que têm ligação com o Paraná – partindo de Curitiba em direção a Florianópolis, São Paulo e cortando a Região Central de Santa Catarina. São 1.195 quilômetros que cortam as BRs 116, 101 e 376 e estão nas mãos de empresas criadas pela concessionária espanhola OHL – vencedora da licitação para administrar as rodovias pelos próximos 25 anos.



As rodovias já estão nas mãos da administração privada desde meados de fevereiro, mas a maioria dos motoristas entrevistados pela reportagem nem sequer sabia que a cobrança está prestes a começar. Também não havia notado a interferência direta da concessionária nas condições da pista.
Haverá quatro praças no Paraná (São José dos Pinhais, Fazenda Rio Grande, Rio Negro e Campina Grande do Sul) e duas próximas às divisas com Santa Catarina (Garuva) e São Paulo (Barra do Turvo). Ao todo, nos três trechos serão 16 praças – na média, uma a cada 74 quilômetros. A concessionária não informou qual é a estimativa de tempo médio para a construção de cada estrutura, alegando que existem particularidades de uma para outra. Mas, através da assessoria de imprensa, destacou que o projeto prevê o uso de vários componentes pré-moldados, que agilizariam o processo. No modelo estadual de pedágio, as praças construídas há dez anos tinham projeto e tecnologia bem distintos e foram erguidas no prazo de dois a quatro meses.
Obras
Pelo contrato, a concessionária precisa recuperar a sinalização (horizontal e vertical), fazer a roçada e obras emergenciais no pavimento, como tapar os buracos, antes de pensar em exigir pagamento dos usuários. Só depois que a empresa comunicar que concluiu o processo inicial de recuperação é que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) fará uma vistoria para autorizar, ou não, o início da arrecadação. Com cobrança ou não, os serviços de atendimento ao usuário devem começar em meados do mês que vem, com socorro médico e mecânico. Só nos três trechos relacionados ao Paraná, neste primeiro ano, pouco mais de R$ 400 milhões estão sendo aplicados pela concessionária – que já mobiliza quase 2 mil trabalhadores.
A OHL reiterou que trabalha com a meta de iniciar a cobrança no dia 15 de agosto. A afirmação só não é categórica para o trecho da rodovia Régis Bittencourt: a assessoria de imprensa informa que a arrecadação será iniciada no segundo semestre de 2008, sem precisar a data prevista. O reajuste dos preços cobrados será pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que no acumulado desde a licitação já é de aproximadamente 5%. Ou seja, a tarifa nas praças rumo a Florianópolis, por exemplo, já não deve ser arredondada para pouco mais de R$ 1. Vai ficar, provavelmente, em R$ 1,10.
Nos primeiros seis meses de concessão – que se encerram na metade de agosto –, a concessionária é obrigada a estabelecer padrões de segurança para o tráfego. Por exemplo, só depois de tapar todos os buracos na pista é que a cobrança de tarifa pode ser iniciada. O conforto mesmo deve ser sentido pelos usuários, e será avaliado pela ANTT, só partir do aniversário de um ano do contrato. O projeto prevê que o padrão de qualidade do pavimento que hoje existe nas concessões estaduais, por exemplo, só será atingido daqui a cinco anos. A OHL assegura, porém, que não significa que os motoristas vão ter estradas ruins até 2013. Mas que, aos poucos, o investimento na durabilidade do asfalto será feito para diminuir os casos de intervenções de recuperação no futuro.


Confira a avaliação dos três trechos de rodovias que têm ligação com o Paraná
Régis Bittencourt tem pior trecho
A sensação de quem trafega pelas rodovias federais recém-concedidas é totalmente diversa para os três trechos relacionados ao Paraná. Na ligação com Florianópolis, a impressão é de que a rodovia precisa de poucos reparos – não há buracos, existem obras de relevância, como viadutos e até o um túnel, e todo o percurso é em pista dupla.
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Fonte: Gazeta do Povo

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