A trajetória do ex-superintendente do Porto de Itajaí, alvo de duas ações da Polícia Federal em 2008
Em rodas de amigos, reuniões de trabalho, solenidades e na rua, Wilson Francisco Rebelo insistia em fazer a presença ser notada. Falante, brincalhão, às vezes extravagante, o homem conhecido por influência política e poder em Itajaí saiu de cena como o principal alvo que fez nascer duas grandes operações da Polícia Federal (PF): Iceberg e Influenza. Então número 1 do Porto de Itajaí, começou a ser tratado a partir de 2006 como "o comendador".O apelido surgiu com o recebimento em Brasília da medalha do mérito Mauá, homenagem por trabalhos prestados no setor de transportes. Para ele, o título consolidava a carreira do então simples morador de Itajaí que cuidava de processos de aposentadoria no porto. Em 20 anos de atividade portuária, Rebelo colecionou amigos e adversários. Preso duas vezes por policiais federais, a segunda vez dia 20 de junho e pela qual permanece na carceragem da Superintendência da PF em Florianópolis, é figura popular em Itajaí.Filho de marítimo, desde criança esteve entre navios e cargas. Trabalhou 22 anos na extinta Portus, que cuidava da pensão dos portuários, andava num Santana Quantum e tinha uma casa na Rua Pedro Antônio Fayal, no Bairro São João. Em 2005, Rebelo assumiu a diretoria comercial e alcançou a superintendência do Porto de Itajaí em 2006. Continuou com a rotina e não escondia de ninguém que também gostava do meio social, de palanques, da noite e de longa conversa durante partidas de dominó.Rebelo gostava de dizer que era amigo pessoal do governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB). Uma das histórias a seu respeito é que ligava para LHS na frente dos amigos e colocava o telefone no viva-voz para que todos ouvissem a conversa. De fato, Rebelo é peemedebista tradicional, mantinha um quadro de Ulysses Guimarães no gabinete e trabalhava em campanhas políticas do partido como liderança regional. A assessoria de imprensa do governador reconhece que eles tinham amizade, aproximação política e que Rebelo trabalhou nas campanhas de LHS.Ostentou luxos e chamou atenção da políciaMas a ascensão profissional e política o fez despertar interesse por requintes. Rebelo passou a ser visto com caminhonetes importadas e comprou um apartamento no luxuoso Château Versailles Residence, no Centro, avaliado em R$ 1 milhão, além de uma casa de praia em Bombinhas. Chamou ainda mais a atenção entre a população e também dos agentes da PF.
O grampo
- Conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal mostram que mesmo depois da primeira prisão e do afastamento da superintendência do Porto de Itajaí, Wilson Rebelo continuou exercendo poder no lugar. Num diálogo com a esposa, fala que "deu tudo certo", que Gaspar Laus (atual superintendente) assumirá o cargo e Marcelo Salles (diretor) permanecerá no Porto de Itajaí. Comenta com ela que é "como se fosse eu, a mesma coisa".
- Noutro diálogo, Wilson Rebelo explica para Augusto Sampaio Dantas o que fez para obter o afastamento da então superintendente do Porto, Eliane Neves Rebello (sem parentesco), e a nomeação de Gaspar Laus. Rebelo diz que "chamei ele e a pessoa que assumiu, dei um porraço em cima da mesa e disse: ou é assim ou acabou tudo".
Fonte: decisão judicial que embasou as prisões na Operação Inlfuenza.
- Conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal mostram que mesmo depois da primeira prisão e do afastamento da superintendência do Porto de Itajaí, Wilson Rebelo continuou exercendo poder no lugar. Num diálogo com a esposa, fala que "deu tudo certo", que Gaspar Laus (atual superintendente) assumirá o cargo e Marcelo Salles (diretor) permanecerá no Porto de Itajaí. Comenta com ela que é "como se fosse eu, a mesma coisa".
- Noutro diálogo, Wilson Rebelo explica para Augusto Sampaio Dantas o que fez para obter o afastamento da então superintendente do Porto, Eliane Neves Rebello (sem parentesco), e a nomeação de Gaspar Laus. Rebelo diz que "chamei ele e a pessoa que assumiu, dei um porraço em cima da mesa e disse: ou é assim ou acabou tudo".
Fonte: decisão judicial que embasou as prisões na Operação Inlfuenza.
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