quarta-feira, 11 de junho de 2008

OS ALOPRADOS DA DESCENTRALIZAÇÃO


Acordo é informal e Nei Silva tem como provar, diz defesa
Advogado do empresário garante que governo pagou R$ 336 mil por serviços prestados


Ricardo Gallotti, advogado de Nei Silva - o dono da revista "Metrópole" e acusado pela polícia de tentar extorquir o governo para não divulgar um livro com supostas denúncias - afirmou ontem que o governo do Estado já havia pago R$ 336 mil referentes aos serviços prestados pela revista. O contrato de R$ 500 mil teria sido um "acordo de cavalheiros".Embora não haja um contrato formal entre o dono da revista e o governo, Gallotti afirmou que Nei tem como provar que uma parte dos serviços prestados pela Metrópole foi pago.
De acordo com o advogado, Nei recebeu R$ 90 mil ano passado, R$ 120 mil em janeiro deste ano e mais três parcelas de R$ 42 mil também neste ano. Gallotti não soube dizer se as provas eram notas fiscais, mas garantiu que existem gravações guardadas das negociações realizadas.
O que a defesa de Nei tenta provar é que a cena do flagrante - na última segunda-feira, em um hotel no bairro do Estreito, na Capital - não seria de extorsão. O jornalista teria ido ao hotel para receber mais uma parcela relativa às matérias e outdoors publicados pela "Metrópole" para o governo.O objetivo de Gallotti agora é buscar a liberdade do empresário para ter acesso às provas apontadas por ele.
O advogado acredita que não há mais justificativa para a prisão do dono da revista, por isso tenta um pedido de liberdade provisória ou um habeas corpus junto ao Tribunal de Justiça.
Ontem à tarde, o deputado Amauri Soares, do PDT, tornou-se o 13º parlamentar a assinar o requerimento para criar a CPI da Extorsão. Para iniciar a comissão, são necessárias 14 assinaturas e a expectativa das bancadas de oposição é de que o 14° nome seja Odete de Jesus (PRB), que pediu tempo para ler os documentos.
O ex-secretário de Estado de Planejamento, Armando Hess de Souza, negou, em entrevista na segunda-feira, a contratação dos serviços da revista, mas disse ter dado R$ 40 mil do próprio bolso para Nei, "por desencargo de consciência". A assessoria do secretário de Articulação, Ivo Carminati, afirmou que a posição do governo é de que o episódio é um caso de polícia.

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