sábado, 3 de novembro de 2007

EDITORIAL CRITICA AÇÃO DA PREFEITURA DE ITAJAÍ

A cidade que queremos e a cidade que eles querem

Parece brincadeira! Vai ver que é mesmo. No mundo todo, todo mundo morre de preocupação com os efeitos da poluição e do trânsito de veículos automotores nas ruas. Em Paris, o estacionamento de automóveis está sendo proibido em muitas áreas centrais, para forçar a turma a andar menos de carro. Implantaram, lá, um programa enorme de estímulo ao uso de bicicletas, como forma de reduzir as emissões de gases perigosos pelos automóveis.
E aqui, nesta abençoada terra à margem do Itajaí-açu plantada, resolvem devolver aos fedorentos, barulhentos e atropeladores automóveis, uma das poucas áreas destinadas exclusivamente aos pedestres. O mundo todo está errado. As maiores autoridades em planejamento urbano estão equivocadas: a cidade é, definitivamente, do automóvel. Com tudo que isso tem trazido e trará de prejuízo.
Qual é, afinal, a cidade que essa turma quer? Que tipo de futuro essa turma quer para seus próprios filhos e netos? Onde é que estão com a cabeça, ao propor e, pior, realizar um retrocesso do tamanho deste que vai acontecer na Hercílio Luz?


CABEÇAS DE PUDIM
Poderão dizer que a transformação da rua em calçadão foi mal executada, porque, em vez de tornar a região mais freqüentada e mais agradável, afastou o pessoal dali. Ora, isso só demonstra a falta de planejamento que já havia antes. Embarcaram na "modinha" do calçadão sem saber direito como fazer e para que fazer. E agora, cacete, fazem a mesma coisa, em sentido inverso.
Não se fecha uma rua para carros, nem se afugenta os pedestres, se não se tem um projeto mais amplo, onde esteja claro que tipo de cidade queremos. Temos uma cidade que tem tudo para ser saudável, bonita e alegre, onde sua população já usa naturalmente a bicicleta. Seria mais simples e barato dar ainda mais força a esse hábito saudável, do que está sendo em Paris, onde a prefeitura teve que colocar 10 mil bicicletas à disposição, para que os parisienses usem em deslocamentos curtos.
Mas parece que não passa pela cabeça de pudim dessa gente fazer as correções que sejam necessárias no calçadão, sem dar marcha a ré e entrar na contramão da história. E nem pensam em avaliar a responsabilidade, dos próprios lojistas reclamões, no fracasso (se é que fracassou) da experiência de transformar aquela rua numa rua civilizada.
Até em Brasília, que é uma cidade mal falada, o respeito ao pedestre tem feito enormes progressos. Lá, os motoristas têm que parar para o pedestre atravessar na faixa. Se não para, é multado. As cidades modernas estão colocando, em primeiro lugar, os pedestres. Aqui, lamentavelmente, a prefeitura cedeu, da pior e mais retrógrada forma, às pressões de gente que parece não ter a menor noção de planejamento urbano. E que não liga a mínima para o que a população pensa.

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