quinta-feira, 12 de julho de 2007

SANTA CATARINA ESTÁ NA LISTA SUJA DO TRABALHO ESCRAVO


Santa Catarina está na lista suja do trabalho escravo do MTE
Relação do Ministério do Trabalho e Emprego tem 192 empresas

Duas empresas de Rio Negrinho e uma de Mafra, no Planalto Norte, são as únicas de Santa Catarina no cadastro de empregadores que utilizaram mão-de-obra em situação escrava, a conhecida "lista suja". O documento foi divulgado esta semana pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Com a entrada de 51 novos nomes, a relação conta agora com 192 empregadores de 16 estados diferentes. Criada em 2003, a lista é atualizada a cada seis meses. A novidade a foi inclusão de empresas catarinenses no relatório.

Esta é a primeira vez que o Estado é citado por apresentar denúncia de trabalho escravo. No relatório aparecem as moveleiras Cruzado Móveis e Móveis Rueckl. As duas são de Rio Negrinho. A terceira empresa do Estado é a Indústria Agroflorestal Heyse, com sede em Mafra. Em novembro do ano passado, fiscais da Delegacia Regional do Trabalho flagraram trabalhadores das três empresas atuando no corte de pinus na Fazenda Campo Grande, na localidade de Cerro Azul, distante cerca de 80 quilômetros do Centro de Rio Negrinho. Na ação foram encontrados 17 funcionários da Cruzado, um da Rueckl e 19 da Heyse, proprietária da fazenda. Pela denúncia, eles viviam em condições precárias de alimentação, higiene e alojamento no local.


Na fazenda existiam cerca de 200 mil árvores de pinus adulto, pronto para o corte. A área foi dividida em lotes e a madeira vendida para empresas e madeireiras da região. Cerca de 20 empresas atuavam no corte das árvores, mas, durante a ação dos fiscais da Delegacia do Trabalho, muitas empresas, segundo Diógenes Dlugosz, da Heyse, não assumiram ter contratado alguns dos trabalhadores, e por isso a Madeireira Heyse foi indiciada, como co-responsável pelo problema. – Muitas empresas contratavam outras pessoas e nós nem ficávamos sabendo – disse. Mesmo assim os donos da fazenda assumiram a notificação e pagaram cerca de R$ 80 mil em multas e indenizações trabalhistas.

Ainda falta pagar parte da indenização por danos morais imposta pelo Ministério Público do Trabalho. A dívida foi parcelada. Entretanto, explica Diógenes, todas as despesas recorrentes da falta de registro na carteira de trabalho dos empregados flagrados foram pagos pela Heyse. A ação não impediu o corte das árvores, e atualmente, apenas duas empresas continuam na fazenda, mas a retirada da madeira encerra nos próximos dias.

DIÁRIO CATARINENSE

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