sábado, 7 de junho de 2008

Yeda aceita demissão de chefe da Casa Civil

Além de Busatto, saíram secretário-geral, representante em Brasília e chefe da polícia.Vice-governador divulgou gravação sobre uso de órgãos públicos por partidos.

Em entrevista coletiva na tarde deste sábado (7), a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), anunciou que aceitou os pedidos de demissão do chefe da Casa Civil, Cézar Busatto, do secretário-geral de Governo, Delson Martini, do chefe do escritório do Rio Grande do Sul em Brasília, Marcelo Cavalcante, e do comandante-geral da Brigada Militar (BM), coronel Nilson Bueno.

Busatto (PPS) colocou o cargo à disposição da governadora depois da divulgação de uma gravação em que diz ao vice-governador Paulo Afonso Feijó (DEM) que órgãos públicos gaúchos são fontes de financiamento para partidos políticos.

É a maior mudança no secretariado de uma só vez desde que Yeda assumiu o Palácio Piratini. A governadora disse que é parlamentarista e que vai consultar o conselho político na próxima segunda-feira (9) para tratar a substituição desses nomes que saem do governo.

Gravação
Yeda ainda questionou a atitude do vice-governador Paulo Feijó de gravar uma conversa com Busatto, sem que o chefe da Casa Civil soubesse que o diálogo estava sendo gravado. Segundo Yeda, a gravação foi um "teatro" e "não tem valor ético ou moral". No diálogo, Busatto diz a Feijó que o Detran e o Daer foram "fontes de financiamento" para todos os governadores. "Quem estava gravando sabia que estava gravando e pode fazer o teatro que bem quis. Busatto saberá dar a volta por cima. Tudo que ele fez na vida não se apaga com uma gravação. A fala gravada não tem valor ético ou moral quando um sabe que está gravando e outro não sabe que está sendo gravado." Sobre o vice-governador, ela ainda acrescentou: "Mais firme do que nunca quero manifestar minha indignação pelo comportamento do vice-governador. O Rio Grande do Sul é colocado, frente ao cenário nacional, como um estado em que práticas de comportamento como essa jamais foram vistas. É um comportamento digno de confronto. Esse maravilhoso povo do Rio Grande do Sul não aceita não discutir frente a frente como sempre deve ser feito na política."

Yeda ainda falou da sua relação com Feijó. "Nós nos relacionamos constitucionalmente. Sinto muito porque essa declaração do DEM de estar ferozmente na oposição é triste. Nos faz perder energias e forças."


Defesa
Na entrevista coletiva, Yeda ainda pediu provas de que o governo não estava do seu lado nesta crise e ainda destacou que a sua campanha eleitoral foi aceita como prestação de contas modelo. "Me mostrem que o povo gaúcho não confia no meu governo. E não joguem no meu colo um filho que não é meu. O povo gaúcho está sendo bombardeado, atacado por anos por notícias negativas no campo político. Quero dizer que não fui para a política acreditando que ela não fosse o que é, mas acreditando que ela pode ser mudada. É possível evoluir sim."
Busatto
Ao sair de um debate com o presidente da CPI do Detran, Fabiano Pereira, num programa da TVCOM, no início da madrugada deste sábado, Busatto disse que não seria obstáculo às mudanças que a governadora quiser fazer em sua equipe e que já comunicou isso a Yeda. "Eu quero deixá-la muito à vontade para examinar com toda a tranqüilidade a situação geral do governo e a minha própria situação para que tome as decisões livremente", ressaltou. A audição da gravação, feita numa reunião extraordinária da CPI na tarde de sexta-feira (6), ampliou a crise política do governo gaúcho, que desde o ano passado estava constrangido pela descoberta, pela Polícia Federal, de uma fraude de R$ 44 milhões no Detran, praticada por pessoas próximas à cúpula do próprio PSDB e dos aliados PP e PMDB.

A crise também derrubou o chefe do escritório do Rio Grande do Sul em Brasília, Marcelo Cavalcante. Ele pediu exoneração na tarde de sexta-feira, depois da divulgação, pela imprensa gaúcha, de uma carta que recebeu de um dos envolvidos na fraude do Detran. Cavalcante disse que não encaminhou o caso para Yeda porque o remetente não apresentou provas.

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