Durante a década de 30, circulou pelas fileiras comunistas um pequeno romance com o título de Parque Industrial. A autora assinara a obra como Mara Lobo, tinha apenas 23 anos, pois havia sido proibida de assumir a autoria do texto devido sua militância comunista. Mara Lobo, na verdade chamava-se Patrícia Galvão ou simplesmente Pagú.
O que tem a ver o romance de Pagú com a JPS setenta anos depois?
Primeiramente faz-se necessário um breve resgate do romance de Pagú, que a um modo bastante surrealista de escrever produziu um romance que relata a vida operária e suas condições de trabalho no bairro do Brás em São Paulo As personagens centrais da obra são mulheres. As disputas por melhores condições de trabalho bem como, de melhores salários fizeram com que algumas das personagens do texto se envolvessem em questões de militância política e levasse a sério as leituras e propostas de Marx, através do Manifesto do Partido Comunista. Bom, em uma produção desta “rebeldia” Pagú não poderia deixar de narrar as manifestações devido o salário injusto, o desemprego e o abuso de poder por parte dos empregadores, além é claro das questões feministas. O desfecho do romance, naturalmente não deve aqui ser revelado, pois seria um bom livro a se ler durante o período de molequices.
A crítica que Pagú recebeu por sua produção, tido como ameaçador da causa partidária, rebelde, intransigente e coisa de meninota foi:
“Pagú tu não deves publicar este texto que é uma rebeldia, como ficará o partido?”
Naturalmente que, com sua personalidade irrequieta Pagú publica o romance, alterando o nome e parece que não foi a única a sofrer represálias por companheiros de partido.
O Revolucionário Cordial Astrojildo Pereira também foi alvo de reuniões, inclusive teve sua militância afastada do Organismo de Base a que pertencia. Simplesmente por produzir revistas literárias que traziam em suas páginas poemas e causos escritos pelas mãos operárias. Espero que os históricos se recordem destas leituras de meninice. No entanto, além de inúmeras críticas os simpáticos substantivos eram lembrados moleques - moleca, rebelde, incapaz entre tantos outros. Em se tratando de substantivos históricos, parece que estamos muito bem. E quanto ao processo de cerceamento do importante embate de construção partidária, que tem suas raízes na crítica e autocrítica, também estamos históricos.
Momentos saudosos com suspiros que chegam a parar por milésimos de instantes um coração vermelho.........
E nós hoje, na JPS de Santa Catarina, em vez de um romance surrealista temos um sítio na rede digital, típico de nossa geração. Nele escrevemos nossas indignações, nossas propostas e principalmente divulgamos e apoiamos os que se mantêm fiéis aos trabalhadores e ao Partido Popular Socialista.
Nosso Deputado Federal Fernando Coruja, por exemplo, desempenha em Brasília um importante papel de liderança trazendo a tona debates que destacam a sociedade e os indivíduos que nela vivem. Em outros momentos, incita ao plenário o importante tema que defende com muita seriedade e responsabilidade, que é a reforma partidária. Nosso deputado argumenta no sítio do PPS
“Infelizmente, hoje, cada parlamentar é um mandato em si. Ele não tem nenhum compromisso com a sigla pela qual se elegeu. Atua como quer e vota como quer.”
Uma atuação destacada de liderança e principalmente de respeito ao Partido.
Roberto Freire por sua vez, como presidente nacional do PPS, sabiamente respeita as questões locais. Em seus diálogos, quase “Fidelianos” de ser, não há quem deixe de se apaixonar pela riqueza e a intensidade com que lutou e luta em nome do respeito e da ética partidária.
A JPS também se fez presente em diversos momentos desta caminhada nas viagens que conseguiu acompanhar e sem quaisquer condições, apenas para cumprir seu papel de co-auxiliar nesta importante tarefa delineada pelos nossos líderes do PPS. Assim, destoamos dos comodistas que se servem apenas no papel de “arapongas” prontos a levar e trazer e ainda trajam-se de pseudo moralistas.
Enfim, nomes que merecem nosso respeito e admiração. E se em algum momento da vida de Fernando Coruja, Roberto Freire e Dércio Knop foram tachados de “rebeldes”, “moleques” ou “inconseqüentes”, como foram Pagú e Astrojildo a setenta anos atrás, iremos preferir os elogios, a nosso ver, ao invés de termos em nossa história o título de subserviência.
Por isso companheiros, camaradas e históricos.....
Nossa Juventude Popular Socialista que está por Toda a Santa Catarina não é nenhuma Ilíada de Homero com suas fantásticas oralidades históricas de memória ou um Hércules em seus Sete Trabalhos, mas sim, uma juventude que vê em sua geração a capacidade de mudança e a decência, afinal defende o lema de nosso Partido, o Partido Popular Socialista e, portanto, que sejamos moleques!
Saudações aos Socialistas,
quinta-feira, 10 de abril de 2008
O PARQUE INDUSTRIAL, AS MOLEQUICES E UMA JUVENTUDE
“Foi a Juventude Popular Socialista que fez!”
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4 comentários:
Amigo Alisson, como você bem disse no texto, que sejamos muleques sim!!! Mas moleques de caráter, que tem vergonha na cara, que não se vendem por cargos comissionados. É muito fácil fazer um discurso demagógico, um indivíduo que ocupa um cargo "de favor" totalmente submisso ao imperador Luiz XV e que têm na sua regional o maior índice de ausência do PPS no estado de SC. Se com um cargo de deputado, com toda a estrutura de gabinete à disposição o "Professor" não consegue montar o partido na sua "área de atuação", nós, os muleques, que fazemos política movidos pelo desejo de mudança dessas práticas indecorosas a que somos submetidos a assistir, continuamos a trabalhar por todo o nosso estado contruindo o partido com pessoas sérias e formando chapas para o próximo pleito que se aproxima. DEPUTADO CORUJA: Vossa Excelência, que é uma pessoa de respeito, que tem uma biografia invejável num país onde os políticos estão afundando num mar de lama sem fim, tome uma atitude firme com relação ao mandato estadual que o nosso partido possui em SC, faça com que nossos companheiros tenham orgulho da atuação do nosso representante na Assembléia Legislativa Catarinense, assim como nos orgulhamos de sua atuação na Câmara dos Deputados.
Forte abraço a todos os companheiros que lêem esse blog!
Porquê, de dias para cá, as postagens passaram a ser assinadas por "Carina Sartori e Alisson Luiz Micoski"? O que mudou? Seria para preservar alguém?
que sejamos moleques responsaveis e imparciais
"Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho..." Robert Musil em O Homem sem Qualidades
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