(...)ser jovem é viver a vida sim, seja com responsabilidade ou não, mas sempre com muita intensidade,criatividade e vontade de mudar o que não está legal. o que nos incomoda, o que é injusto, alguns de formas bem radicais, outros de formas delicadas, mas sempre e na maioria das vezes através da linguagem lúdica. Ser jovem é ter arte de mudar,de inventar..... Porque:
....Pra ser feliz a gente inventa
Conta piadas no sinal
Fala da vida da formiga
E diz que nada vai dar mal.
E assim nós jovens vamos a luta
A começar por nosso Brasil
Por Políticas Públicas de juventude
que deixe as juventudes mais a mil.
( Elisangela Nunes, 11/02/2004- Fórum Juventude- Ser Jovem” – http://www.projetojuventude.org.br/.
O que este artigo se propõe é uma reflexão sobre as possibilidades de debater e propor um novo modelo de participação dos jovens para a criação promoção de políticas públicas para juventude, sustentando o objetivo central de combate às ações implementadas sem uma discussão com o principal interessado: o jovem.
O artigo foi estruturado a partir de um apanhado conceitual sobre juventude, o qual foi abordado, não só os conceitos institucionais ou acadêmicos, mas também , o conceito do jovem sobre si mesmo.É sob esse caleidoscópio de conceitos, que se analisa a situação do jovem no Brasil , e no Rio de Janeiro , através de dados do IBGE.
O artigo segue trazendo a tona seu debate central, como as políticas para juventude são construídas, enfatizando a necessidade de ampliação da participação do Jovem. A reboque desta discussão o artigo aborda propostas e estratégias de inserção destes jovens, pela experiência do CIEDS, e pela Proposta da Rede.
Juventude ou Juventudes ?!
Assim, sob as palavras da jovem Elisangela introduz-se este artigo sobre o tema da juventude, no qual buscou-se enfatizar a juventude por todos seus aspectos estruturantes, com foco no ator, protagonista do mundo atual que enfrentam as crescentes desigualdades sociais do país sem perder a sua diversidade de estilos e identidades.
A condição juvenil é dada pelo fato de os indivíduos estarem vivendo um período específico do ciclo de vida, num determinado momento histórico e cenário cultural. No contexto atual, juventude é, idealmente, o tempo em que se completa a formação física, intelectual, psíquica, social e cultural, processando-se a passagem da condição de dependência para a de autonomia em relação à família de origem. A pessoa torna-se capaz de produzir (trabalhar), reproduzir (ter filhos e criá-los), manter-se e prover a outros, participar plenamente da vida social, com todos os direitos e responsabilidades. Portanto, trata-se de uma fase marcada centralmente por processos de definição e de inserção social.
DEFINIÇÃO RETIRADA DO “DOCUMENTO DE CONCLUSÃO”-DOS DEBATES RELACIONADOS AO PROJETO JUVENTUDE. PARA MAIORES INFORMAÇÕES WWW.PROJETOJUVENTUDE.ORG.BR
A partir dessa diversidade de estilos e identidades, a juventude pode ser considerada um fenômeno multidimensional, com o qual procura-se entender os diversos fatores que a compõem. Por um lado, a juventude é o momento que o individuo começa a ampliar suas responsabilidades e responder individualmente as diversas relações sociais que o cercam. Por outro lado, esta é um período de transição, de diversas transformações biológicas e psicológicas, é deixar de ser criança e ainda não ser um adulto. E é ainda, a fase da vida em que se constrói a sua personalidade e suas escolhas de acordo com o contexto social, cultural e econômico que se está inserido.
Essa contextualização é de grande importância para certificar que se está falando de uma população heterogênea, com identidades próprias, ou seja, não estamos falando de juventude, e sim de juventudes.
A juventude é por natureza impregnada de simbolismos, potencialidades, fragilidades e inexplicáveis ambigüidades. Todas essas características devem ser avaliadas e levadas em conta quando se pensam na função, na atuação e na inserção desse jovem na sociedade, pois é a partir deste conjunto que se devem construir as políticas voltadas para as diferentes juventudes,ou seja,são essas as potencialidades que devem ser exploradas para elaboração de toda e qualquer proposta voltada a esses jovens.
Dados sobre a juventude brasileira
A juventude brasileira é composta de 34,1 milhões de jovens entre 15 e 24 anos de idade, o que representa 20,1% do da população do país. É a esta parcela da população que hoje se aufere o futuro da nação. Mas de que futuro?
Os dados do último CENSO apontam que do total de jovens, 9 milhões vivem abaixo da linha de pobreza, 26% da juventude brasileira dispõe de uma a renda per capta inferior a R$ 61,00. Esse dado dá uma clara dimensão de uma das múltiplas desigualdades referentes aos índices de escolarização, renda, desemprego, mortalidade, gênero que marcam, especialmente as condições de vida os jovens brasileiros.
A juventude, porta de entrada para a vida adulta, quando a necessidade de inserção econômica é conjugada a necessidade de ampliação de escolaridade.Em função deste momento específico, tem-se apresentado uma ampliação considerável na taxa de escolarização entre a população juvenil , principalmente na faixa de 15 a 17 anos que foi ampliada de 55% para 78,8% . Contudo a maioria desses jovens ainda freqüenta o ensino fundamental.
Os índices de escolarização são mais frágeis quanto aos jovens entre 18 e 19 anos, já que apenas 50,3% dessa população freqüentam a escola. Os índices caem ainda mais entre os jovens de 20 a 24 anos, pois apenas 26,5% podem ter acesso à escolarização já que a maioria que se enquadra nessa faixa etária precisam trabalhar.
Se por um lado à necessidade de inserção no mundo do trabalho é um dos fatores de abandono ou desistência da permanência na escola, por outro o desemprego representa um dos mais graves dilemas vividos por esses jovens . No caso do Rio de Janeiro a situação se agrava, como se pode observar na tabela a seguir:
Toda essa situação de desemprego e pressão para a inserção dos jovens no mercado de trabalho se acirrara na última década, inclusive pela precarização da força de trabalho, instabilidade das vagas e baixa qualificação profissional, levando a crise do desemprego juvenil.
Pode-se afirmar, desta forma, que os jovens pobres têm se deparado com limites, em alto grau, em relação as suas possibilidades de acesso ao primeiro emprego e de continuidade dos estudos, criando barreiras para construção de novas perspectivas, além de um o sentimento de frustração, desânimo e falta de futuro.
Contudo, esses jovens encaram esse quadro com a perseverança e a criatividade que lhes são peculiares. Pois como pode ser constatada, historicamente, a juventude tem sido o ator social de mudança, pois desde os anos 60, esta tem se apresentado como questionadora da sociedade, de usos e costumes, desigualdades e injustiças. A juventude herdou sobretudo o caráter estruturante de utopias sociais e políticas, desde os movimentos pró-democracia da década de 70, demonstrando todo seu engajamento político e social. Nos anos 80 essa juventude, diante de uma maior liberdade política, assume o seu protagonismo nos movimentos culturais, sociais e em prol da ampliação da sua cidadania.
Políticas para Juventude
Quais os anseios da juventude de hoje? Elisângela a jovem que nos presenteia com seu depoimento traduz em rimas as necessidades que essas diferentes juventudes buscam --“(...) vontade de mudar o que não está legal. o que nos incomoda, o que é injusto(...) . E assim, se percebe o quanto se faz necessário a criação de um espaço no qual o jovem possa ter participação na construção de ações e de políticas públicas que visem o seu desenvolvimento social e cidadão.
Inspirada nas juventudes da década de 60 e 70, os jovens dos dias de hoje buscam maior participação, mesmo sofrendo a influência da sociedade de consumo e globalizada, buscam por maior participação, sejam através de fóruns na Internet ou em ações locais, nas suas comunidades ou nos seus bairros.
Como aponta Elisangela em seu depoimento --“(...) E assim nós jovens vamos a luta(...)A começar por nosso Brasil, por Políticas Públicas de Juventude que deixem as juventudes mais a mil(...)--” as propostas pensadas para o público com idade entre 15 e 24 anos de idade devem ter o objetivo de propiciar mudanças e avanços em sua realidade,e, em particular para aqueles que residem em áreas consideradas de risco, tendo em vista que é essa fatia da juventude que tem enfrentado problemas em relação a sua formação e inserção no meio social. Desta forma, torna-se cada vez mais necessário ampliar o espaço de debate e proposição desses jovens, que mesmo nas suas individualidades e identidades pensarem coletivamente na construção de políticas para juventude.
É importante salientar que como políticas entendem-se “as ações coordenadas de objetivos públicos” e, por isso, se faz necessário não confundir essas políticas públicas com políticas governamentais. Assim, a sociedade civil tem participado, em muitos momentos, para o desenvolvimento e execução dessas políticas públicas para a juventude, mas essa participação tem que ser ampliada também para participação juvenil em propostas que reflitam seu próprio desenvolvimento.
A verdadeira batalha pelo futuro deve ser travada em torno da construção de alternativas, oportunidades, escolaridade, capacitação e inclusão social desses jovens. Uma vez que a representatividade populacional da juventude é extensa e as ações que são pensadas para esse público ainda não atende a todos.
O que se propõe neste artigo é uma reflexão sobre as possibilidades de debater e propor um novo modelo de políticas para juventude e combater ações implementadas sem discussão com o principal interessado: o jovem.
É importante que esses trabalhos sejam realizados de forma participativa, envolvendo o jovem desde sua construção até sua execução. Pois hoje os responsáveis por essas ações encontram-se concentrados em uma construção de gabinete, ou seja, não participam os verdadeiros interessados. Os interesses em resultados quantitativos são maiores aos qualitativos.
As organizações juvenis, como grêmios, ONGs, Grupos Culturais e Grupos Comunitários têm apontado como grandes desafios a serem superados:
• a falta de reconhecimento da sociedade (nossos representantes públicos) para com elas;
• a falta de apoio de outros atores da sociedade para o seu desenvolvimento ;e
• além de ser o rotulada como eternamente inexperiente.
Para a maior parte dos adultos, é difícil perceber valores nas ações empreendidas pela juventude, perceber as organizações juvenis como parceiras estratégicas na promoção do desenvolvimento.
Temos que começar a investir no potencial do jovem, criar meios de comunicação onde possam trocar experiências e conhecerem realidades distintas existentes nesse meio, e com isso pensarem em mobilização e formação de grupos que visem a implantação de políticas democráticas e inclusivas de/para/com a juventude.
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