
Entrevista no dia 6/2/2010, feita pelo Jornal Correio Lageano.
Dono de quatro mandatos consecutivos de vereador, Antônio Arcanjo Duarte, o Toni, conquistou no final de 2009 a segunda posição mais importante na hierarquia política de um município. Foi eleito presidente da Câmara de Vereadores num acordo firmado entre os partidos da bancada e de oposição que dividiram o mandato em quatro períodos de um ano. Para Toni “demorou o tempo que deveria demorar” para chegar ao posto de presidente. Mas de uma coisa ele tem convicção: Se não fosse cumprido o acordo, jamais haveria outro. “Tem muitas coisas que são direito constitucional. Mas uma coisa que deveria ser direito fundamental é o cumprimento da palavra”, defende. Considerado um dos vereadores de oposição mais ferrenhos, Toni diz que não será estorvo aos projetos de interesse social do prefeito Renato Nunes de Oliveira (Renatinho). E avisa que não vai travar o andamento de projetos, assim como pretende abrir a câmara para uma maior participação popular. Pré-candidato à deputado estadual pelo PPS, Toni revela que não deixará a presidência caso dispute uma cadeira à Assembléia Legislativa.
Correio Lageano: A sua trajetória política começou no PDT. Como ocorreu?
Toni Duarte: Em 1987, a convite de um grande militante, Alaor Schweitzer. Um ano mais tarde disputei a eleição de vereador. Também em 1992 concorri a vereador e nas duas primeiras não obtive êxito. Trouxemos o deputado Fernando Coruja para o PDT e o elegemos prefeito numa eleição histórica em 1992. Fui diretor administrativo da Secretaria de Saúde no período do Coruja e por pouco mais de um ano fui secretário de Finanças do ex-prefeito Décio Ribeiro. Em 1996 me elegi vereador pela primeira vez.
CL: Demorou um pouco até chegar à presidência da Câmara. Concorda?
Toni: Não sei. Acho que foi o tempo... Dentro dessa construção de aprendizado político o partido teve sempre de fazer composições e nunca sobrou uma oportunidade. A única vez que surgiu uma oportunidade foi quando colocamos o Arnaldo Moraes como presidente e como vice assumi dois a três meses. O acordo seria eu ficar oito meses, mas no final o Arnaldo entendeu que não teríamos votos suficientes para continuar no comando da Câmara e acabei deixando.
CL: E no acordo desta legislatura?
Toni: Com a vinda de Adilson Appolinário e do Anilton Freitas formamos um bloco de oito vereadores e acertamos dividir o mandato em quatro. Iniciou com o Rodrigo Silva (DEM), agora sou eu (PPS), depois vem o Adilson (PR) e por último o Anilton (PTB). Isso foi acertado, isso foi feito até agora e isso será cumprido.
CL: Você acredita no cumprimento do acordo?
Toni: Independentemente da situação política que se criará este ano no Estado, o acordo na Câmara de Lages será cumprido.
CL: Você pensou que o acordo poderia ser rompido?
Toni: Sim. No dia da eleição fiquei muito em dúvida. Havia uma pressão intensa sobre o Rodrigo para não deixar a presidência. Não estou aqui duvidando da palavra do Rodrigo, mas percebemos que havia outros interessados que ele continuasse. Ele foi maior que tudo isso, mais forte. Percebi, inclusive, que o prefeito tinha vontade que o Rodrigo continuasse. O importante é que no final deu tudo certo e o Rodrigo mostrou caráter e personalidade.
CL: E da sua parte, o que o Adilson pode esperar?
Toni: Hoje, não sabemos de que lado o PR ou o PTB estarão nas eleições deste ano. Nem nós não sabemos se o PPS estará na Polialiança. Mas o que deixo claro é que isso não foi condicionante quando firmamos o acordo para dividir a presidência da Câmara. E o acordo será cumprido.
CL: Em que condições está assumindo a Câmara?
Toni: Numa boa situação. Estrutura física belíssima e quero lembrar que a Câmara não gasta todo o orçamento previsto legalmente. Mesmo com a nova estrutura somos uma das Câmaras mais enxutas de Santa Catarina. Florianópolis por exemplo, tem mais de 300 funcionários. Blumenau e Joinville a mesma coisa. Hoje são 64 servidores na Câmara de Lages e vamos analisar ainda a questão dos terceirizados. Ver como está a relação custo benefício e se é mais barato abrir concurso ou manter como está. O orçamento da Câmara ficou em R$ 6 milhões para 2010.
CL: Onde pretende empregar o orçamento da Câmara?
Toni: Primeiro vamos popularizar o debate com a mesa diretora da Câmara. Nada será decidido isolado. Nenhuma pessoa será contratada sem que a maioria da mesa aprove. A grande questão hoje é o debate em relação às necessidades da comunidade. Lages está muito dependente do que pensa o executivo. A cidade anda na velocidade das opiniões deste ou daquele e não das reais necessidades ou de projetos técnicos. Vamos estabelecer painéis e temas sobre determinados assuntos e ajudar na busca por soluções. Esse será o grande desafio. Temos de saber distinguir o quantitativo e o qualitativo da cidade.
CL: Mas em que áreas?
Toni: Em todas as áreas de interesse coletivo. No trânsito, educação e infraestrutura urbana em geral.
CL: Os vereadores estão preparados para esse nível de discussão?
Toni: Se não estiverem, irão se preparar. O que precisa ser entendido é que a discussão não será com os vereadores, mas com segmentos específicos. Do lazer à saúde temos de discutir se é isso mesmo que queremos, como queremos e o que podemos fazer para que as coisas se realizem.
CL: Cite um exemplo prático?
Toni: O Centro de Especialidades Médicas junto ao Pronto Atendimento Tito Bianchini que está com a construção paralisada há mais de três anos. Essa será inclusive minha primeira conversa com o prefeito Renatinho para que em parceria com o governo do Estado possamos concluir aquela obra. Está certo que obra física é função do executivo, mas como vereador podemos pressionar o governo estadual para ajudar na conclusão daquela obra. Esse é nosso papel.
CL: Como deve ser a relação Câmara e prefeitura a partir de agora?
Toni: Quero deixar claro que a Câmara não será empecilho para travar projetos do executivo. Sobre meu posicionamento político será o mesmo. O que entendo como algo errado vou continuar cobrando. Não é porque agora sou presidente da Câmara que vou me omitir das questões políticas. A cidade tem questões que precisam ser discutidas e como vereador temos de cobrar. Um delas é o saneamento básico. É comum se destruir uma benfeitoria para implantar saneamento básico que é importante sim, só que fica muito tempo para restabelecer a normalidade ou dar uma melhorada. Essas questões vamos cobrar sim.
CL: Como está seu projeto para concorrer a deputado estadual?
Toni: Meu nome foi indicado ano passado pelo partido como provável candidato. No primeiro momento disse que não, não estava em meus planos. No final do ano o partido cobrou uma posição e até agora não dei uma resposta. Depois do carnaval haverá uma reunião estadual do PPS e direi se realmente serei candidato. Até lá vou reunir os elementos necessários para dizer sim ou não.
CL: Então pode concorrer a deputado?
Toni: Há uma grande possibilidade. Não preciso me licenciar e se concorrer o farei sem deixar a Câmara. Preciso saber antes os critérios que serão usados, se o partido estará sozinho ou coligado na proporcional e detalhes importantes para uma eleição. Na semana seguinte ao carnaval terei essa resposta, mas uma coisa é certa, só lançarei meu nome se o PPS for chapa pura na proporcional.
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