terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

LIDERANÇA NACIONAL DA JPS DESQUALIFICA METAS DE DILMA PARA JOVENS

Se a candidata Dilma Roussef (PT) pretende enganar a juventude com um discurso recheado de promessas, principalmente de emprego, pode "desencanar", como dizem os jovens de hoje. Eles estão cansados de esperar que o governo cumpra o compromisso de criar milhões de postos de trabalho e sabem que só fazem parte das preocupações da ministra-candidata porque formam um quarto do eleitorado do país em 2010. Estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado em janeiro passado é um espelho do desânimo que atinge a juventude. Mostra que, entre 1987 e 2007, o desemprego entre jovens passou de 7% para 20%.

"Não me espanta o governo Lula tenha começado com uma bonita propaganda e esteja terminando com números reais pífios, irrelevantes para a juventude", diz Raquel Dias (PPS-CE), coordenadora nacional de Movimentos Sociais e Formação Política da JPS (Juventude do Popular Socialista). Ela diz que testemunha diariamente a descrença da juventude na política, "porque se tinha um grande sonho de que alguém viria da esquerda e melhoraria a vida dos menos favorecidos; o que vemos são programas de mentira com belas propagandas na TV, mas de fato, na realidade, o que melhorou na vida da juventude?".
Violência
Raquel lembra que os jovens são acusados de promover a violência, mas ressalva que, "na verdade, eles são vítimas, sofrem as consequências; a causa passa pelo governo Lula, sim, pelas mentiras que foram pregadas, pela falsa ideologia que ele professa".

O descumprimento das metas do governo para a juventude, diz a presidente da JPS, são "uma amostra da enganação que é o governo do PT, principalmente no que diz respeito à juventude". Indignada ao lembrar que o presidente Lula estava junto com os jovens no impeachment do então presidente Collor e, agora, está abraçado com ele, Raquel critica a base aliada do Palácio do Planalto no Congresso.

Se quisesse mesmo trabalhar pela juventude, diz ela, a maioria governista já teria aprovado a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que inclui o jovem entre os que têm prioridade em direitos à saúde, alimentação, lazer, profissionalização e cultura. Mas a matéria está parada. "Dentro de um governo que teria assumido compromisso de levar a juventude a um patamar até então nunca visto, isso não poderia acontecer".
Retrocesso
O fim do programa Primeiro Emprego e a inclusão do jovem no Bolsa Família foi um ato de retrocesso imperdoável. "É um programa de assistência social que não tira a pessoa dele, que não permite que ela saia dali". Dar a chance para que o jovem conseguir um emprego e ajudar os pais a sustentar a família é muito mais humano, mais socialista do que dar dinheiro para ele ir ao supermercado comprar um quilo de arroz; pior é que ele vai morrer com aquele quilo de arroz, sem opção de sair desse assistencialismo".

Para Raquel, essa política mais prejudica do que ajuda o jovem. "Comida na boca das pessoas é muito bom para todos, mas a própria pessoa, com seu trabalho conseguir colocar comida dentro de casa é ainda mais digno".

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