quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

LÍDER DO PPS DE LAGES ENCAMINHA MOÇÃO A FAMILIARES DE GILDO

O líder da bancada do PPS de Lages, vereador Marcius Machado, a pedido da Direção da JPS-SC, encaminhou na última segunda-feira (22), proposta aprovada por unanimidade de Moção Simples aos familiares do professor Gildo Marçal Brandão, que também foi ex-dirigente do PCB (atual PPS) por seu passamento.
O registro feito por Machado (foto) marca o reconhecimento da extensa biografia do filósofo, que desde a luta na clandestinidade pela a legalidade do PCB até sua rica contribuição acadêmica como cientista político, eterniza agora com seu legado de atuação destacada como um dos principais teóricos brasileiros que dedicou parte de seu tempo à elaboração programática do ideário comunista no Brasil e no mundo.
Segue o documento:
MOÇÃO SIMPLES N.º 001/2010
EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA CÂMARA DO MUNICÍPIO DE LAGES.

MOÇÃO SIMPLES DE CONDOLÊNCIAS PELA PERDA DO FILÓSOFO, CIENTISTA POLÍTICO E EX-DIRIGENTE NACIONAL DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB), GILDO MARÇAL BRANDÃO

MARCIUS DA SILVA MACHADO, Vereador com assento nesta Casa Legislativa, pela bancada do PPS, no uso de suas atribuições legais e regimentais vem a presença de Vossa Excelência requerer, envio de Moção Simples ao(Ilma Sra. Simone de Castro Tavares Coelho e filhos; domiciliados na Rua: Tomé de Souza nº 900, São Paulo, CEP 05079-100; Ilmo Presidente do Diretório Nacional do Partido Popular Socialista, Sr. Roberto Freire e Ilmo Presidente da Fundação Astrojildo Pereira, Sr. Prof. Caetano Ernesto Pereira de Araújo, ambos com endereço a SCS Quadra 7, Bloco A, Ed. Executive Tower, Sl 826/828 - Pátio Brasil Shopping - Setor Comercial Sul, CEP: 70307901 - Brasília – DF; e Exmo. Presidente do Diretório Estadual do Partido Popular Socialista de S. Paulo, Sr. Deputado Davi Zaia, com endereço Rua Dona Germaine Burchard, n° 352 - Água Branca, São Paulo / SP CEP: 05.002-061 ) com o seguinte teor;
A CÂMARA DO MUNICÍPIO DE LAGES, no uso de suas atribuições legais e regimentais, acatando proposição dos Vereadores MARCIUS DA SILVA MACHADO, enviam Moção Simples com o seguinte teor;

MOÇÃO SIMPLES:
GILDO MARÇAL BRANDÃO (1949-2010): natural de Alagoas graduou-se em Filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), pós-doutor pela University of Pittsburgh e, coordenador científico do núcleo de apoio à pesquisa sobre democratização e desenvolvimento da USP.
Foi secretário adjunto da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa emCiências Sociais, editor da Revista Brasileira de Ciências Sociais (gestões 2004-2006 e 2006-2008).
Foi bastante influenciado pelas ideais do italiano Antonio Gramsci (1891-1937), as quais, ao lado de intelectuais como Carlos Nelson Coutinho, Leandro Konder e Luiz Werneck Vianna, desenvolveram um conceito de esquerda democrática que se adequasse ao Brasil. Além de seu fortíssimo engajamento na construção das Ciências Sociais em nosso país, fez importantes contribuições na área de Ciência Política, com ênfase em Teoria Política Moderna, História das Idéias e Pensamento Político Brasileiro.
Foi militante e dirigente do Partidão. A militância no Partido Comunista Brasileiro (PCB), que vinha desde Pernambuco, acabou empurrando-o da filosofia para a ciência política. Em 1992, sob a orientação de Francisco Weffort, defendeu seu doutorado, um estudo sobre a gênese e o papel político do PCB e da esquerda brasileira.
Autor de vários livros, muitos deles relatando a historia do PCB (Partido omunista Brasileiro) dentre os quais se destacam: A esquerda no Brasil (São Paulo: Duetto Editorial, 2006), A esquerda positiva: as duas almas do Partido Comunista, 1920-1964 (São Paulo: HUCITEC, 1997) e Linhagens do Pensamento Político Brasileiro, tratando-se de um grande programa de estudos que pretende traçar a genealogia das ideais políticas no Brasil desde o século 19 até hoje.
O pressuposto é o de jamais desvincular a matriz de pensamento do contexto histórico particular em que ela vem: “Nenhuma grande constelação de ideais pode ser compreendida sem levar em conta os problemas históricos aos quais tenta dar respostas e sem atentar para as formas específicas em que é formulada e discutida; ao mesmo tempo que nenhuma grande constelação de ideais pode ser inteiramente resolvida em seu contexto” disse Brandão.
Paralelamente, desenvolveu a carreira de jornalista. Foi o primeiro editor da “Voz da Unidade”, o jornal do PCB, cargo que exerceu por quase meia década. Também foi editorialista da Folha no início dos anos 80. Deixa a viúva Senhora Simone de Castro Tavares Coelho, filha do jornalista e ex-deputado comunista Marco Antonio Tavares Coelho, deixando ainda dois filhos, além dos pais Dona Eva e Dr. Brandão, demais parentes e amigos.

Extraído da Mensagem do jornalista Marco Antonio Coelho, editor-executivo da Revista Estudos Avançados, publicação do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, durante a cerimônia de cremação de Brandão.
“Sua vida é um exemplo de um envolvimento permanente com toda a sorte de ificuldades financeiras, políticas, policiais e de extremo amor a diversas instituições de pesquisa, e ao país. A fatalidade lhe derrubou quando dentro de um mês iria disputar o mais alto posto na academia, a função de professor titular da USP.
O ponto de partida na universidade foi o estudo sistemático de filosofia, o que lhe deu uma base teórica que sempre lhe permitiu fazer análises profundas na ciência política e na sociologia. Daí suas posições ao lado dos que no movimento comunista assumem uma atitude firme na defesa do valor universal da democracia e da firme disposição de aprofundar a correção dos erros cometidos pelos que se engajam na luta por uma sociedade mais justa.
Com orgulho Gildo Marçal Brandão relatava sua qualidade de militante comunista. Participou ativamente da rearticulação da direção comunista em São Paulo, quando a repressão policial assassinou diversos dirigentes comunistas em 1974 e 1975. Naquele ambiente de absoluto terror, cuidou de reorganizar a direção estadual dos omunistas e participou do lançamento do semanário “Voz da Unidade”, que circulou durante vários meses. Essa atuação criou um problema porque o afastou durante vários meses da vida acadêmica.
Assumiu o compromisso de uma participação teórica mais intensa no lançamento da revista “Temas de Ciências Humanas”, abordando aspectos essenciais da atividade comunista no Brasil e no mundo. Para sobreviver viu-se forçado a trabalhar em várias publicações, na qualidade de “free-lancer”, inclusive na “Folha de S. Paulo”.

Retornando à atuação na academia, jamais deixou de lado sua atuação destacada como um dos teóricos que dedica parte de seu tempo à elaboração programática do ideário comunista no Brasil e no mundo. Assim, a divulgação dessa derradeira reflexão será a maior homenagem a um mestre cujo exemplo é um orgulho para a comunidade acadêmica brasileira.
Sala das Sessões, 22/02/2010

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