sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A DISCÍPULA DE CORUJA

Personalidade. Preparada para o embate de 2010
Entrevista do Jornal Correio Lageano, em 19/12/2009

Primeira mulher a ocupar a chefia da Secretaria de Estado da Saúde, Carmen Zanotto desempenha hoje uma das principais funções na estrutura de saúde catarinense, como diretora-geral e presidente do Conselho Estadual de Saúde. Aos 47 anos, ela desponta como uma das revelações do PPS para 2010. E pode entrar para o seleto grupo de mulheres catarinenses a ocupar uma cadeira na Câmara Federal.
Sua vida profissional teve início em 1986, como enfermeira do Hospital de Caridade Nossa Senhora dos Prazeres. Assumiu a direção administrativa do Hospital Geral e Maternidade Tereza Ramos e conquistou um assento na Câmara de Vereadores em 2000. Mas não chegou a terminar o mandato e em 2003 foi chamada para adjunta da Secretaria de Estado da Saúde.
Nesta entrevista ela revela seus planos políticos para 2010 e faz uma avaliação da estrutura estadual de saúde:
Correio Lageano: Há sete anos trabalhando numa das maiores estruturas dentre as secretarias do governo, qual o diagnóstico que faz da Saúde em Santa Catarina?
Carmen Zanotto: Muito foi avançado e muito há por fazer. Mas uma das maiores conquistas do Estado é que hoje temos a maior rede de tratamento de câncer do Brasil. Desde a consulta até cirurgia oncológica, quimioterapia e radioterapia, tudo funciona descentralizado.
CL: Onde foram implantados novos serviços oncológicos?
Carmen: Em Joaçaba, no Planto Norte, em Porto União e em Tubarão. Já tinha o serviço em Criciúma e lá só ampliamos a radioterapia. O Oeste já tinha quimio e cirurgia-oncológica e ampliamos a radioterapia. Em Lages tínhamos a quimioterapia vinculada ao Cepom em Florianópolis e agora vamos ter a radioterapia. Blumenau já tinha quimioterapia e a radioterapia que era por bomba de cobalto está sendo substituída por acelerador linear. Joinville é a mesma situação. Hoje, todo o Estado está amparado por esta rede de tratamento ao câncer. Tudo isso faz com que os pacientes deixem de ir para Florianópolis.
CL: O Samu tem surtido o resultado esperado pela saúde?
Carmen: Sim. Basta ver a estrutura existente no Estado. Temos hoje a maior estrutura do País em termos de cobertura. Somos o único Estado da federação com atendimento nos 293 municípios. São oito centrais de regulação, 22 ambulâncias tipo UTI e 71 ambulâncias básicas. Isso só é possível pelo esforço do governo federal com o governo do Estado e os municípios.
CL: O consórcio público de direito público do Samu está andando?
Carmen: Claro. O projeto será encaminhado à Assembleia Legislativa, em breve os colaboradores do Samu passarão a ter emprego público. Vai dar mais agilidade aos serviços. Com isso será possível aumentar o número de viaturas e melhorar ainda mais os serviços.
CL: As Autorizações para Internamento Hospitalar (AIH) não são mais o gargalo da saúde?Carmen: Não, isso não. Os pacientes eletivos de cirurgias não disputam mais AIHs, eles têm cota própria. Os pacientes de câncer, de cirurgia cardíaca e de Ortopedia, todos têm cota separada. O que estrangula é quando o paciente interna numa unidade e é deslocado para outra.
CL: Os índices de mortalidade infantil ainda preocupam?
Carmen: Há sempre o que melhorar. Mas hoje somos o Estado com menor índice de mortalidade infantil. Temos 11,61 mortes em cada mil nascidos vivos, pelos dados do Ministério da Saúde. Já tivemos índice de 22.
CL: A oferta de leitos hospitalares é mesmo deficitária?
Carmen: Pelas tabelas do Ministério da Saúde, temos leitos suficientes. O que precisamos discutir é que tipo de leito temos de ter. Hospitais de pequeno porte podem ser deficitários. Todos os estudos mundiais mostram que grandes hospitais com concentração de leitos e especialidades são a grande saída. Hoje, existem 56 hospitais no Estado com baixa taxa de ocupação. Alguns com apenas 7% de ocupação. Isso significa custo desnecessário. Precisamos discutir que tipo de leitos precisamos.
CL: O Estado ainda carece de profissionais em determinadas áreas da saúde?
Carmen: Em Lages, por exemplo, falta residência médica. A primeira turma de Medicina está sendo formada neste final de semana, mas não basta graduar médicos. Temos de aumentar o número de vagas de residência em áreas como anestesistas, cirurgião geral, obstetrícia e outras.
CL: Mas isso é comum em outras regiões, além de Lages?
Carmen: Antes tudo era concentrado em Florianópolis. Agora os cursos estão indo para o interior e também tem de ter residência médica. As carências no Estado são de especialistas, anestesistas, cirurgiões, cirurgião toráxico, cirurgião de cabeça e pescoço.
CL: Qual a perspectiva da saúde no Estado?
Carmen: É continuar evoluindo, seguindo a lógica da descentralização. Os serviços têm de ir para o interior do Estado, isso não pode parar. Vamos diminuir o deslocamento de pacientes para a Capital.
CL: Quanto à sua possível candidatura à Câmara Federal, está confirmada?
Carmen: Está praticamente definida esta questão. Serei candidata do PPS e o deputado Fernando Coruja vai abrir o espaço para mim. Meu trabalho diário me leva quase que à dedicação exclusiva, mas é necessário conciliar e preciso aprender a ser política e a caminhar agregando o lado político ao técnico.
CL: Sua trajetória se assemelha à do deputado Coruja. Ele tem sido seu orientador?
Carmen: Sempre foi meu grande líder. Eu me espelho nele. Mas não posso dizer que tenho a experiência dele. No processo técnico eu acredito que já domino o suficiente a área. Mas no campo político tenho um grande desafio e acredito que vai dar certo.
CL: Em que pode contribuir como deputada federal?
Carmen: Entendo que não posso fugir à minha formação e do meu entendimento dentro do Sistema Único de Saúde. Posso contribuir e muito com minha região, com meu Estado na busca de recursos. Saúde é gestão casada com recursos financeiros. Penso que é extremamente importante à nossa região ter representação na esfera federal.
CL: O Coruja já posa como seu cabo eleitoral?
Carmen: Com certeza.
CL: Quanto à majoritária, o PPS não terá candidato. O que defende?
Carmen: Defendo a tríplice aliança. Como todo lageano tenho o sonho de ver um governador serrano, assim como ser deputada federal. Torço e trabalharei pelo que for o encaminhamento da tríplice aliança. E se for o senador Colombo o candidato não pouparemos esforços, como qualquer dos outros nomes que tentam disputar o mesmo espaço.
CL: A região serrana já te conhece bem como a técnica em saúde Carmen Zanotto. O que pode esperar como deputada?
Carmen: O apoio que presto aos municípios será o mesmo como deputada. Dentro das limitações do poder público, tento sempre ajudar a todos. Mas como deputada pretendo um olhar ainda mais fixo nos olhos da população. E que seja feita a vontade do eleitor.

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