SC está inserida nas questões
das mudanças no clima mundial
Pelo Estado
”QUEM É Sérgio Grando é deputado estadual pelo PPS, ex-prefeito da Capital e autor de leis como as do telhado verde e da neutralização de carbono em eventos com plantio de árvores. O QUE FAZ Acompanha a delegação catarinense à COP 15, que começa hoje na Dinamarca. Esteve também na última, no Canadá, quando presidia a Fatma."
O QUE FAZ Acompanha a delegação catarinense à COP 15, que começa hoje na Dinamarca. Esteve também na última, no Canadá, quando presidia a Fatma. [Pelo Estado] – Qual a importância desta delegação catarinense a Copenhague? Sérgio Grando – Santa Catarina tem
chamado a atenção, mundialmente, pelos fenômenos que aqui ocorreram. Por exemplo, quando cheguei a Montreal em 2005, época em que presidia a Fatma, a fotografia que mais aparecia nos cartazes era a do Furacão Catarina. Todo furacão ocorria na faixa do Equador, mas se previa
que, devido às mudanças climáticas, poderia ocorrer abaixo dessa linha. E, pela primeira vez ocorreu na parte meridional, na Costa Catarinense. Foi realmente um fenômeno que deixou todos os estudiosos e pesquisadores preocupados. Em SC sofremos as consequências e causas de mudanças climáticas, também na questão de enchentes e deslizamentos de solo no Vale do Rio Itajaí e de vendavais de mais de 200 quilômetros por hora no Oeste. As mudanças climáticas previstas com o aumento da temperatura global vão provocar mais desequilíbrio, poderemos ter tempestades, neve, furacões. Portanto SC, por tudo que tem ocorrido, está inserida nas questões
das mudanças climáticas, temos de trabalhar bem, estar presentes.
[PE] – Como tem sido a relação entre os países desenvolvidos e os emergentes? SG – Os países desenvolvidos têm cotas, metas a cumprir, de redução de dióxido de carbono. Os governos destes países chamam suas empresas e, quando estas não conseguem cumprir as metas de redução em seus próprios países, financiam através dos bancos de desenvolvimento projetos onde haja mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL), no Brasil inclusive, onde passam a contar com créditos de carbono. Porque a questão do dióxido de carbono é mundial, não se trata de cada país se salvar sozinho, todos têm de se salvar juntos. Note que os polos estão derretendo, o
Norte com maior velocidade, e a indústria mais próxima fica a 2 mil quilômetros. Não há mais como achar que só os ricos vão se salvar e os pobres vão pagar as consequências. Então, pelo item quatro do Protocolo de Kyoto, os desenvolvidos têm de fornecer tecnologia para os países em desenvolvimento como o Brasil, Índia, China e os da África para que estes também possam
combater as emissões de dióxido de carbono. Destes avanços tecnológicos não podem ser cobradas patentes, justificativa pela qual os EUA durante o governo Bush se recusavam a assiná-lo. Pela quebra de patentes. Por exemplo, sobre carro elétrico ou carro de hidrogênio não podem ser cobrados royalties nem patentes.
[PE] – A situação do Brasil e de SC...SG – O Brasil pode ter energia solar como alternativa, apesar da sua matriz hídrica ser considerada energia limpa, diferentemente da Europa onde 80% é a carvão ou dos EUA onde também 60% é a carvão. Em SC, temos defendido os mecanismos do desenvolvimento limpo inclusive para o saneamento. Há apenas 10% de cobertura com sistemas de esgoto e, através do MDL, podemos fazer todo o tratamento de esgoto sem mandar metano para a atmosfera. O metano é um gás do efeito estufa, 21 vezes mais potente que o dióxido de carbono emitido pela queima de combustível fóssil. Também podemos melhorar na agricultura, onde o uso de nitrato também produz efeito estufa. Mas já temos bons exemplos, como o da empresa Tractebel, que produz energia através da biomassa, com a queima da madeira que, ao apodrecer, emite metano. Há 20 ou 30 anos, as serrarias da região de Lages fizeram montanhas de serragens que estão sendo desenterradas para gerar energia elétrica e modelar madeira para exportação. Também já há projetos para produção de energia eólica e produção de gás com dejetos suínos em Braço do Norte, permitindo a instalação de pequenas centrais de cinco megawatts.
[PE] – E quanto à meta brasileira?SG – Eu acho que o Brasil está amadurecendo. Vai ao encontro de Copenhague com uma posição mais firme, porque o mundo está entendendo que em vez de ser voluntária, a meta deveria constar em lei, ser obrigatória. Este seria o grande exemplo.
Mas, para isso, o Brasil tem de fazer antes um inventário da sua emissão de carbono e temos dificuldade. Esta é a grande questão científica. O Brasil tem um triste dado de ser o quarto poluidor do mundo, não por sua matriz industrial, mas pelas queimadas, pela destruição da natureza. Isto é um crime. Mas, além da meta, o Brasil deveria estar liderando a questão de que os países em desenvolvimento ajudem a preservar o ambiente contra as queimadas, mas em compensação, passem a ter patentes livres como na questão do genoma, da nanofísica, para o combate de doenças. Ajudaremos a salvar o mundo evitando o aquecimento global e o mundo desenvolvido nos ajudará com a Ciência, compartilhando pesquisa e avanço científico naquilo que poderia nos dar melhor qualidade de vida e maior conforto. Esta que deveria ser a proposta a ser liderada pelo Brasil. O que nos leva a Copenhague é o mundo futuro. As gerações futuras dependem de nós agora, não podemos nos omitir.
Mas, para isso, o Brasil tem de fazer antes um inventário da sua emissão de carbono e temos dificuldade. Esta é a grande questão científica. O Brasil tem um triste dado de ser o quarto poluidor do mundo, não por sua matriz industrial, mas pelas queimadas, pela destruição da natureza. Isto é um crime. Mas, além da meta, o Brasil deveria estar liderando a questão de que os países em desenvolvimento ajudem a preservar o ambiente contra as queimadas, mas em compensação, passem a ter patentes livres como na questão do genoma, da nanofísica, para o combate de doenças. Ajudaremos a salvar o mundo evitando o aquecimento global e o mundo desenvolvido nos ajudará com a Ciência, compartilhando pesquisa e avanço científico naquilo que poderia nos dar melhor qualidade de vida e maior conforto. Esta que deveria ser a proposta a ser liderada pelo Brasil. O que nos leva a Copenhague é o mundo futuro. As gerações futuras dependem de nós agora, não podemos nos omitir.
Associação dos Diários do Interior 7Dez09 colunaadi@cnrsc.com.br
Adriana Baldissarelli
Adriana Baldissarelli
Nenhum comentário:
Postar um comentário