domingo, 3 de maio de 2009

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

Fim da farra aérea restringe ação de partidos
Prática de pagar locomoção de líderes de movimentos sociais deverá ser assumida pelas legendas ou pelas próprias organizações

Indignação de políticos de esquerda, que mais faziam uso do expediente, é que os setores mais ricos não perderão poder de lobby


A exposição da farra das passagens aéreas no Congresso e a decisão de pôr fim à emissão de bilhetes da cota de congressistas para terceiros arruínam o esquema de mobilização dos principais partidos de esquerda. A prática comum de pagar a locomoção de líderes de movimentos sociais a Brasília ou a outras cidades terá de ser assumida pelos partidos ou movimentos, dizem parlamentares.

Dispor da estrutura da Casa para que trabalhadores, dirigentes sindicais e membros de organizações possam fazer pressão em Brasília é legítimo, dizem os políticos consultados pela Folha. A prática foi defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele próprio um ex-sindicalista, na sexta.
Para eles, é uma forma de balancear as opiniões com grupos de maior condição financeira em debates e "de combinar democracia direta com a representativa", afirma a deputada Manuela D'Ávila (PC do B-RS).
Mas abrir brechas na resolução para alguns casos, avaliam, está fora de cogitação. "Vamos respeitar e dar um jeito de resolver a locomoção de terceiros por outros meios", disse a deputada Luciana Genro (PSOL-RS), que cedeu passagens para o delegado da PF Protógenes Queiroz dar uma palestra.
Ela diz acreditar que o impacto será maior no desempenho da atividade parlamentar do que nos movimentos sociais. "Era o interesse do meu mandato que trazia essa pessoa ou a levava a determinado local. É o meu mandato que vai ser prejudicado", afirma ela.

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