segunda-feira, 27 de abril de 2009

COLUNA PELO ESTADO - Entrevista com o Senador Raimundo Colombo

“Agora, cada partido trabalha para fortalecer seu candidato”

Animado com a mobilização do Democratas, Raimundo Colombo defende a escolha prévia, com pesquisa a ser feita até o início de 2010, do melhor candidato ao governo pela aliança com o PMDB e o PSDB.

QUEM É

Senador e presidente do DEM-SC. Foi deputado estadual e federal e prefeito reeleito em Lages com 70% dos votos O QUE PRETENDE Disputar o governo em 2010.

[Pelo Estado] – Se 80% da sua produção no Congresso é tida de alto impacto, dá para ter bom resultado sendo oposição?

Raimundo Colombo – Dá, na oposição, a gente tem dificuldade em relação à tramitação interna, de assuntos administrativos, mas no campo legislativo eu acho que até é mais fácil. Eu tenho agora uma boa equipe, com experiência, então meu trabalho realmente está melhorando muito e eu estou muito feliz com esta avaliação da Transparência Brasil.

[PE] – Como o sr. lida com esta triangulação confusa de ser o único senador catarinense de oposição ao governo Lula mas que é, aqui, aliado do governo do PMDB que lá é situação e apoia o Lula?

RC – Essa realidade pluripartidária no Brasil cria muitas confusões pros eleitores e pra gente também. Mas o importante é a postura. Eu tenho respeito e diálogo, sou amigo do governador. Por exemplo, eu votei contra a CPMF e o governador nunca me pediu nenhum voto que fosse diferente. Para a sociedade, você precisa ter aqueles que são do governo e aqueles que fazem oposição e ambos são importantes. E eu claramente sou da oposição, porque eu tenho divergências profundas de visão e de entendimento da função do Estado em relação ao governo do PT.

[PE] – Com tantos candidatos governistas em SC, como será resolvida a equação?

RC – A fase agora é de cada partido ter seu candidato e trabalhar para que ele se fortaleça. No final do ano, deve haver uma avaliação. E, se for o desejo manter a aliança _ e o nosso é _ a ideia é que haja um critério de escolha para o melhor candidato. Aquele que tem o melhor índice de aceitação, o menor índice de rejeição. Não pode ser por simpatia ou por preferência, tem que ser por viabilidade. Eu acho que acertando o critério, as coisas se resolvem.

[PE] – Uma pesquisa já no final do ano?

RC – Seria um critério que eu aceitaria. No final deste ano, porque as decisões todas este ano vão ser antecipadas. Muito provavelmente no início do ano que vem já deveremos ter esta decisão tomada. Porque o governador tem deixado claro que o seu posicionamento político vai decorrer deste processo político da aliança, então muito provavelmente se antecipem as decisões, por isso eu acho que no começo do ano a gente já vai ter isso muito claro.

[PE] – E o processo de cassação do governador?

Está travando essa montagem?RC – Não, o governador está ajudando. Eu tenho absoluta convicção da absolvição do governador, por entender que este processo não o atinge, porque ele estava licenciado do cargo. Eu tenho certeza de que ele vai ser absolvido e desejo que o julgamento ocorra o quanto antes.

[PE] – Na pesquisa do Datafolha o sr. não apareceu. Entendeu o que houve?

RC – Não, sinceramente, não entendi. É como aquele filme Esqueceram de Mim, não sei o que houve. A gente tem pesquisa interna e os números são animadores, bons.

[PE] – O sr. tem falado em fazer política de forma diferente. Como é isso?

RC – O processo político está desgastado, desmoralizado até. Mudá-lo é uma coisa imperiosa, senão vai ser cada vez pior. As pessoas estão esperando, e há mudanças em curso. Eu venho de uma experiência municipal que é maravilhosa. E venho de uma outra, que é uma experiência abstrata e vazia, que é a do Congresso Nacional. É em cima da experiência municipal que eu quero trabalhar, porque acho que esta é que vai liderar a mudança.

[PE] – O que provocou este momento?

RC – Isso que está acontecendo no Senado é muito ruim para o Senado, mas é muito bom para a sociedade. Este tumulto tem que vir para fora, senão, não se corrigem as coisas. Na verdade há uma corporação muito grande no Congresso e dentro do Estado. Você acha que na Petrobras e no Banco do Brasil é diferente? Não é. Então, o que tem que fazer é democratizar e ter o compromisso de mudar estas coisas.

[PE] – E a eleição presidencial em SC?

RC – Vai ter muita interferência, com certeza. Se você bipolarizar no plano federal, e tem praticamente só dois candidatos, isso vai obrigar as coligações já no primeiro turno. O que eu acho bom. Além disso, o tipo da coligação vai influenciar cada vez mais aquelas que serão feitas nos estados. O Serra está tendo o bom senso de postergar essa decisão, mas o Lula e a Dilma aceleram, então eu não sei quem vai ceder.

[PE] – PMDB e PT coligados, complica?

RC – Complica, sim. Eu espero que isso não aconteça e sinto que não há essa vontade do PMDB de Santa Catarina.

Adriana Baldissarelli/Florianópolis

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