terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

SEM SURPRESAS
Fidel se afastou temporariamente do poder em 31 de julho de 2006, depois de uma operação intestinal que o manteve, segundo disse, à beira da morte. Não é visto em público desde então, exceto por fotos e vídeos.


A despedida, por isso, não parece ter surpreendido os cubanos. "Aqui todo mundo sabia faz tempo que Fidel não voltava mais. O povo se acostumou que não estivesse", disse o autônomo Roberto, de 54 anos. "Se disse que o poder passa à 'velha guarda', então com certeza é Raúl", acrescentou.

Muitos cubanos esperam que as novas autoridades adotem medidas para melhorar a qualidade de vida num sistema onde o Estado paga os salários em pesos cubanos e vende produtos importados em uma moeda forte, o peso conversível, que vale 24 vezes mais.
"Para mim tudo vai continuar igual enquanto o governo não fizer as mudanças que tem de fazer no país", comentou um músico na saída de um cabaré na madrugada em Havana.
Muitos acham que Raúl, um militar com imagem de pragmático, poderá reativar a economia sem se afastar do modelo socialista.

A figura de Fidel continuará, porém, como pano de fundo. Sua renúncia à Presidência não impede que seja eleito como membro do Conselho de Estado ou que desempenhe no futuro um papel de "estadista veterano".

Independentemente disso, Fidel manterá uma grande influência política na qualidade de primeiro-secretário do Partido Comunista -- o único legal na ilha. E continuará, segundo informou, escrevendo artigos na imprensa, como faz há quase um ano.


"Não me despeço de vocês. Desejo só combater como um soldado das idéias. Continuarei escrevendo sob o título de 'Reflexões do companheiro Fidel"', acrescentou.
Na mensagem publicada na terça-feira, Fidel renuncia não só à Presidência como também ao cargo não-eletivo de "Comandante en Jefe", que ostenta desde seus dias de guerrilheiro.

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