segunda-feira, 1 de outubro de 2007

BODE NA SALA

Às vésperas da assinatura para a incorporação do Besc pelo Banco do Brasil, prevista para a próxima sexta-feira com a presença do presidente Lula, um novo entrave jurídico preocupa governo do Estado e os técnicos envolvidos na negociação.
Segundo a senadora Ideli Salvatti, o Bradesco está ameaçando interferir no processo, caso não haja uma solução definitiva do leilão da conta-salário do Besc, vencido no ano passado pelo Bradesco por R$ 210 milhões.
Nesta segunda-feira, o secretário de Articulação Política, Ivo Carminati, não participa, no município de Salete, da reunião do secretariado convocada pelo governador Luiz Henrique. Vai permanecer em Florianópolis para negociar com uma comissão especial do BB os termos finais dos contratos que podem render R$ 600 milhões aos cofres do Estado.
A senadora Ideli Salvatti fixou como condição para manter a agenda presidencial a Santa Catarina a solução definitiva do leilão da conta-salário do Besc. Ela foi informada que a diretoria do Bradesco está ameaçando resistir à incorporação do Besc pelo Banco do Brasil, sem uma solução para os direitos que diz possuir na conta-salário. O Banco do Brasil compromete-se a pagar R$ 250 milhões pela mesma conta.
A líder do PT no Senado vai conversar ainda nesta segunda com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre o tema. Ela condiciona todos os contratos à concordância do Bradesco. Diz que se trata de compromisso formal do governo de Santa Catarina.
A conta-salário está em litígio no Supremo Tribunal Federal. Ação foi impetrada pela Advocacia Geral da União e pelo governo do Estado. Ivo Carminati, que é advogado, esclareceu que o governador Luiz Henrique deve assinar um decreto ainda nesta segunda-feira anulando a licitação vencida pelo Bradesco, alegando falta de interesse público em sua conclusão. Este decreto poderia fragilizar qualquer tentativa do Bradesco de impugnar o contrato de incorporação do Besc pelo Banco do Brasil.
Carminati não demonstra preocupação com a situação, alegando que no início do processo, o próprio presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, teria dito que se houvesse negociação melhor de interesse do governo do Estado, o banco não criaria problemas.

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