quarta-feira, 25 de julho de 2007

A POLÍTICA PARA TODOS NÓS

Repulsa, desprezo e indignação são sentimentos comuns em todos nós quando pensamos em política. Os constantes escândalos envolvendo políticos, empresários e funcionários públicos enchem de descrédito pessoas e instituições que deveriam ser exemplos de condução ética da coisa pública.

Não é sem razão que os políticos e as instituições sofram um descrédito de tal porte e tão vergonhoso ao país. No entanto, a resposta instintiva que damos, baseada só no senso comum e normalmente transformada em apenas postura de raiva, é a que mais contribui para que o atual estado de coisas continue da mesma maneira.
A apatia e o desprezo com que muitos de nós encaram o funcionamento do nosso sistema político é o principal combustível que alimenta a corrupção, o desmando, o desrespeito às autoridades.

A política deve ser entendida como a arte de governar ou organizar as questões públicas objetivando melhorar as condições de vida dos cidadãos. Ela é importante porque é ela quem modela a vida em sociedade e tenta garantir que os interesses da comunidade sejam preservados e os direitos individuais ampliados.
Infelizmente, a história recente do nosso país nos mostra que o envolvimento com a política transformou-se em uma decisão difícil para os homens e mulheres de bem. O nosso atual sistema político partidário tem fomentado o aparecimento de aventureiros totalmente descompromissados com as grandes questões republicanas, que agem como se o Estado e suas instituições fossem meros espaços de interesses privados.

Este cenário de profundo distanciamento entre a política que desejamos e aquela que temos em nosso país nos faz refletir sobre os caminhos que devemos tomar e a nossa responsabilidade à frente dessa realidade. E fico feliz em perceber que diante de tamanho desafio a nossa responsabilidade cresce. Cresce porque não temos o direito de nos negarmos à participação efetiva em relação aos assuntos que dizem respeito a nossa gente e as nossas vidas. Cresce porque não podemos nos conformar com o quadro de desigualdade, de miséria e de injustiça que se abate sobre milhões de brasileiros.

Querer fazer política é, antes de tudo, abdicar de projetos somente pessoais em prol de servir ao público. De desejar, a partir da nossa efetiva participação, influenciar na construção dos destinos de todos. De sonhar em realizar aqueles sonhos individuais e coletivos de construção de um país mais justo, mais democrático e com mais oportunidades para todos. E, como disse um pensador e revolucionário um pouco fora de moda: “O desacordo entre o sonho e a realidade nada tem de nocivo se, cada vez que sonha, o homem acredita seriamente em seu sonho, se observa atentamente a vida, compara suas observações com seus castelos no ar e, de uma forma geral, trabalha conscientemente para a realização de seu sonho. Quando existe contato entre o sonho e a vida, tudo vai bem”.

Por achar que as coisas não estão bem e que está nos faltando o sonhar coletivamente e o agir individualmente para garantir futuros mais radiantes, acredito que eu e todos homens e mulheres de bem, que não se amiúdam diante de suas responsabilidades, precisamos abraçar a política como um forte instrumento para a concretização das aspirações que não são só minhas, são de toda uma geração"

Cesar Silvestri Filho é advogado, pós-graduado em Direito Público e do PPS de Guarapuava

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