segunda-feira, 16 de julho de 2007

GOVERNO COMEÇA A AVALIAR EFEITOS DA CRISE POLÍTICA NO SENADO

Episódio teria unido ainda mais as bancadas de oposição
O recesso de julho vai servir para muitas reflexões do governo. Acelerar o PAC, tentar viabilizar as reformas política e a tributária cujo projeto está quase pronto. E, principalmente, aprovar a prorrogação da CPMF. Mas mesmo 2007 não sendo um ano eleitoral, as dificuldades continuarão a ser políticas no Congresso. Sem negociar, quase nada será possível, sobretudo no Senado. Nele o clima é de guerra política tendo o presidente Renan Calheiros como pivô. Há ainda o ressentimento em alguns setores do PMDB com o tratamento dado a Silas Rondeau e a não nomeação, até agora, de Luiz Paulo Conde para Furnas. Sobre as reformas o entendimento terá de ser até mais amplo, pois envolve os interesses diretos dos governadores, especialmente a tributária.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou à cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos Rio-2007.
Quanto ao caso Renan Calheiros a impressão existente é a de que o presidente do Senado está é ganhando tempo para obter mais apoio ou buscar novas saídas. Por isso, o adiamento para amanhã da reunião da mesa, que tomará decisões, tem entre outros objetivos a tentativa de atrair apoio de alguns senadores indecisos ou dar tempo para advogados avaliarem a conveniência de um recurso ao STF, que daria a Renan uma sobrevida maior para articulações. Mas também desgaste e mais reações. E com extensão ao Planalto. Que pode estar se dando conta agora das conseqüências.


A consequência
Na realidade, o caso Renan no Senado está é servindo para reaproximar PSDB e DEM, ex-PFL, diante do governo. Depois das eleições presidenciais e, sobretudo, da eleição do presidente da Câmara, houve um certo distanciamento entre os dois partidos da oposição. O caso Renan, no entanto, serviu para que lideranças de ambos voltassem a atuar identificadas não só diante do presidente do Senado, mas do governo a que atribuem a responsabilidade por sua resistência. Há pouco mais de dois meses, ou menos, muitos foram os parlamentares da oposição, deputados ou senadores, que estiveram no Palácio do Planalto, atendendo a um convite de Lula para conversar. Agora, a sustentação de Renan, atribuída ao governo, pode estar rompendo aquele incipiente cenário de diálogo. Este é mais um dado que pode conspirar para enfraquecer as jogadas com que ainda conta o exposto presidente do Senado diante da crise política com que se defronta. E, em alguns setores, a decepção de Lula no Maracanã também poderá influir para limitar o envolvimento num episódio desgastante e impopular. É esperar para ver.

Por Carlos Fehlberg

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