Não me lembro de ter acompanhado pela televisão ou qualquer outro meio de comunicação, tamanha expectativa em torno da posse de um chefe de Estado, como a do atual presidente dos Estados Unidos da América, Barack Hussein Obama. Nem o aguardo da "fumaça branca do Vaticano"! Mas o que me causa maior espanto é como se mistificou que Obama será o novo salvador do mundo, as emissoras de TV argumentavam de maneira tão parcial que as pessoas de diversas partes do mundo, inclusive do Brasil, acreditavam que o presidente era do seu país e não de uma outra nação. E assim o Obama teria a solução mágica para seus problemas.
Ah! A tarifa do transporte coletivo urbano de Florianópolis aumentou! Não tem o problema o Obama vai resolver! Quase um milhão de trabalhadores perderam seu emprego! Não tem problema o Obama vai acabar com a crise! As pessoas esquecem que os seus problemas são gerados por um Estado mal administrado, por veredores, prefeitos corruptos e que os outros níveis do Estado não são muito diferentes.
Mas voltando ao “PopStar” Obama, espero que tenha uma gestão preocupada com as questões ambientais, não invente nenhuma nova guerra, e olhe de uma maneira especial para o continente Africano, já será um avanço. Pois aquelas milhares de pessoas que estavam na capital estadounidense na posse de seu novo presidente, foram as mesmas que apoiaram a invasão no Iraque, patrocinada gratuitamente pelo presidente Bush. Onde os soldados da coalizão cometeram assassinatos em massa contra crianças, mulheres, homens e idosos. Alguns poucos somente começaram a questionar o porque da guerra, depois que um filho ou um parente próximo chegou na sua casa dentro de um caixão. Senão, a palavra de ordem é morte aos terroristas! Mas afinal quem realmente é o terrorista? Onde estão os terroristas? No Iraque, no Irã, no Afeganistão, na faixa de Gaza, na Guatemala, em Nova Orleans, em Cuba ou na Casa Branca?
Porque apesar de seu discurso ter sido de certa maneira firme, é o mesmo conteúdo xenófobo de todos chefes de estado que o antecederam, até mesmo porque em seu juramento afirmou que vai “defender a constituição dos E.U.A. contra seus inimigos internos e externos”. Quem é o inimigo? Quem é o estado puritano anglo-saxão, racista?
Espero realmente que Barack H. Obama inicie algo que faça uma diferença, mas tenho certeza absoluta que ele não é o novo messias, ele não é o salvador e está longe de ser Lênin. Espero ainda que as pessoas que estão iludidas, principalmente no Quênia, não tenham a mesma decepção que tivemos, ou que eu particularmente tive, em relação a um presidente retirante, operário, que iria mudar as bases do estado corrupto e ineficaz. Que quando sentou no trono, se juntou aos amigos dos antigos reis e ignorou totalmente a plebe.
Celio Kupkowski
Vice-Presidente do PPS/Florianópolis
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