Os americanos, por mais desastrados em suas análises e excessiva confiança em seus governantes (aqui somos diferentes?) ousaram na mudança, mesmo que os mais céticos e incrédulos comentem que mudou-se apenas o rótulo mas o conteúdo é o mesmo.Em 2002, os eleitores brasileiros assim fizeram, elegeram o candidato da oposição ao governo federal da época, com um discurso de mudança, arrebatou-se uma histórica vitória contra o então candidato da situação, atual governador José Serra. A mudança não veio, os veios da corrupção engrossaram e a sensação de impunidade frustrou a população.
O presidente Lula adotou o mais dos moderados perfis, preferiu agir no balcão com o Congresso, abrindo um varejo sem precedentes na recente democracia brasileira. “Nunca na história deste país” houve uma dicotomia tão grande entre o imbatível populismo de um governante com a tomada de assalto dos valores-base das instituições Republicanas.
Os partidos da oposição, leia-se PSDB e DEM, frágeis no seu papel, co-participaram ao longo do primeiro mandato de Lula, de um “acordo entre cavalheiros”, afinal os tucanos e antigos pefelistas governaram por oito anos o país, o telhado de vidro é mútuo.
Aí, nos Estados Unidos, Obama chega à Casa Branca, tendo o desafio de recuperar a economia e confiança dos americanos, tendo o apoio de parte da oposição. Certamente frustrará em não conseguir a mágica que prometera, será avaliado por aquilo que nitidamente se esforçou em fazer, já será uma vitória. Não existe um salvador da pátria, mas a grande maioria prefere crer que um só homem (ou mulher) tem este papel.
Liderar, ter determinação, convicção, principalmente estar certo que os mecanismos de vigilância e manutenção do papel o qual se comprometeu em exercer com retidão e espírito democrático, são as poucas certezas que o amanhã poderá ser melhor.
Enquanto o presidente americano congela os super salários do governo, lança um audacioso pacote para salvar a economia, nosso governante acorda, e se depara com uma crescente onda de desemprego, as empresas estão sufocadas e ainda há pressão das entidades sindicais. Os rumos econômicos começam a ter os reflexos do revés global. Véspera de ano eleitoral, a política do Palácio do Planalto vai pela incoerência, aumentando despesas, número de terceirizados e mantendo, um dos juros mais caros do planeta. Lula Aperfeiçoou mecanismos da antiga era (FHC), mas deixou intocável praticamente tudo que poderia dar um salto no Brasil (as necessárias reformas).
José Serra está longe de ser um salvador da pátria, mas a sabedoria está em quem aprende, tropeça, e tenta superar suas limitações, o governador de São Paulo vem demonstrando que está muito mais aberto a discutir de forma elevada e equânime uma ampla proposta. Já começou participando de forma decisiva nos fechamentos eleitorais que redundaram na vitória da aliança na capital paulista, e vem ampliando as conversas, primeiro arrumando internamente a casa, e paralelamente, tendo diálogo com as lideranças de outros partidos.
Serra tem seus imensos equívocos e limitações, mas não queremos um homem acima dos demais, nem alguém que resolverá todos os problemas (históricos) do Brasil. Este líder sabendo do papel decisivo para iniciar as mudanças que tanto precisamos e firmeza nas ações que deve representar já será uma grande vitória para todos nós.
Nosso papel é muito nítido, em se viabilizando esta ampla aliança, e tendo o nome do governador José Serra como candidato do BDR, caberá ao PPS principalmente, construir as bases controversas das tendências tucano-democratas, e com firmeza defender uma mudança, utilizando nossa trajetória com propostas para o país. O governador Serra tenque consolidar um projeto substancial, revendo o papel do Estado quanto a insaciável arrecadador, sua política privatista e incoerente (deixada pela era FHC e adotada tão brilhantemente por Lula), e fortalecer os avanços morais e éticos na República. As respostas não são quem as fez e sim quem as modificará, neste sentido, um pensamento uníssono deverá permear o debate, que papel o PPS quer ter?
Girar nas redundâncias e nos erros do passado é tomar um papel que não é e nunca será nosso isso está mais com o PT que volta e meia entra em crise existencial. Ao PPS, creio, está a responsabilidade de lutar para que as transformações venham ao encontro do país, reformar o pensamento retrógrado que insiste muitas vezes retornar dentro e fora do partido e nos demais que se aproximam desta aliança.
Lula e o PT chegaram ao poder sem saber o que fariam, não vamos cair no mesmo erro.
Não será fácil e nem deveria ser, o trabalho será gigantesco. Quanto mais cedo nos debruçarmos em propostas concretas e linhas programáticas sérias para debater nos fóruns específicos a relação que o partido deverá ter neste rumo a uma candidatura oposicionista, certamente poderemos imaginar que não será apenas uma pessoa a transformar uma Nação!
Alisson Luiz Micoski
Presidente da JPS-SC
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