O governador José Serra está começando a dizer a que veio, e não está para brincadeira.
A frase caía como uma luva para José Serra. Em 2002, Serra não conseguiu sequer unir o PSDB paulista em torno de seu nome, quanto mais o estado.
Por isso, causou certa estranheza a aliança que o governador construiu nas eleições municipais de 2008 para apoiar a candidatura de seu vice-prefeito, Gilberto Kassab.
Serra aliou-se ao DEM com quem, em sua encarnação anterior, o PFL, estava rompido desde a eleição presidencial de 2002.
(No início daquele ano, operação da PF descobriu uma montanha de dinheiro vivo no escritório do marido da então governadora Sarney, pré-candidata do PFL à presidência. O senador José Sarney continua convencido de que Serra estava por trás da operação, que sepultou as pretensões presidenciais de sua filha.)
(No início daquele ano, operação da PF descobriu uma montanha de dinheiro vivo no escritório do marido da então governadora Sarney, pré-candidata do PFL à presidência. O senador José Sarney continua convencido de que Serra estava por trás da operação, que sepultou as pretensões presidenciais de sua filha.)
Além de se aliar ao DEM, Serra atraiu o PMDB de Orestes Quércia. Mas Serra não conseguia atrair o PSDB covista. Isto porque as divergências são muito antigas, remontam à década de 60, quando a política paulista se desenrolava em torno da rua Maria Antonia. O grupo de Serra jamais tolerou o grupo de Covas, que passou a se reunir em torno de Geraldo Alckmin, depois da morte do governador.
Alckmin insistiu em ser candidato a prefeito, não chegou ao segundo turno... E o resto é história.
Mas agora, parece que o Serra habilidoso está tomando o lugar do Serra desastrado e desagregador. Depois da aliança em torno de Kassab, a nomeação de Geraldo Alckmin como secretário de Desenvolvimento, se não transforma ele e Serra em amigos de infância, pelo menos demonstra que, desunido, o PSDB paulista não chega a lugar nenhum.
E mais importante: se não conseguir unir os tucanos paulistas, quem não chega a lugar nenhum é o próprio Serra.
O convite a Alckmin, e a consequente aceitação, fornecem um importante sinal de que Serra o considera sério candidato ao governo de São Paulo em 2010 – quando, então, o próprio Serra sai para concorrer à presidência, mantendo sua retaguarda tranquila no estado.
Em suma, todos saem ganhando. Todos? Não. Com os últimos passos de Serra, quem sai derrotado é Aécio Neves.
Em suma, todos saem ganhando. Todos? Não. Com os últimos passos de Serra, quem sai derrotado é Aécio Neves.
Perde o trunfo do perfil de tucano conciliador, capaz de unir setores divergentes do PSDB e ainda atrair outros partidos para uma grande aliança.
Perde um aliado contra Serra dentro do PSDB paulista, pois Alckmin parece ter se rendido à política de pacificação.
Apertem os cintos. Os próximos passos vêm aí.
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