quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

LÚCIA HIPPOLITO: SERRA MOVE PEÇAS NO TABULEIRO DE 2010


O governador José Serra está começando a dizer a que veio, e não está para brincadeira.


A fama de desagregador, de político que aposta no conflito tem acompanhado sua trajetória. Mas “político que não fecha seu estado atrás de si não pode ter pretensões nacionais”, dizia o saudoso Amaral Peixoto, pessedista fluminense, que sabia tudo sobre política.

A frase caía como uma luva para José Serra. Em 2002, Serra não conseguiu sequer unir o PSDB paulista em torno de seu nome, quanto mais o estado.

Por isso, causou certa estranheza a aliança que o governador construiu nas eleições municipais de 2008 para apoiar a candidatura de seu vice-prefeito, Gilberto Kassab.

Serra aliou-se ao DEM com quem, em sua encarnação anterior, o PFL, estava rompido desde a eleição presidencial de 2002.
(No início daquele ano, operação da PF descobriu uma montanha de dinheiro vivo no escritório do marido da então governadora Sarney, pré-candidata do PFL à presidência. O senador José Sarney continua convencido de que Serra estava por trás da operação, que sepultou as pretensões presidenciais de sua filha.)

Além de se aliar ao DEM, Serra atraiu o PMDB de Orestes Quércia. Mas Serra não conseguia atrair o PSDB covista. Isto porque as divergências são muito antigas, remontam à década de 60, quando a política paulista se desenrolava em torno da rua Maria Antonia. O grupo de Serra jamais tolerou o grupo de Covas, que passou a se reunir em torno de Geraldo Alckmin, depois da morte do governador.

Alckmin insistiu em ser candidato a prefeito, não chegou ao segundo turno... E o resto é história.

Mas agora, parece que o Serra habilidoso está tomando o lugar do Serra desastrado e desagregador. Depois da aliança em torno de Kassab, a nomeação de Geraldo Alckmin como secretário de Desenvolvimento, se não transforma ele e Serra em amigos de infância, pelo menos demonstra que, desunido, o PSDB paulista não chega a lugar nenhum.

E mais importante: se não conseguir unir os tucanos paulistas, quem não chega a lugar nenhum é o próprio Serra.

O convite a Alckmin, e a consequente aceitação, fornecem um importante sinal de que Serra o considera sério candidato ao governo de São Paulo em 2010 – quando, então, o próprio Serra sai para concorrer à presidência, mantendo sua retaguarda tranquila no estado.
Em suma, todos saem ganhando. Todos? Não. Com os últimos passos de Serra, quem sai derrotado é Aécio Neves.

Perde o trunfo do perfil de tucano conciliador, capaz de unir setores divergentes do PSDB e ainda atrair outros partidos para uma grande aliança.

Perde um aliado contra Serra dentro do PSDB paulista, pois Alckmin parece ter se rendido à política de pacificação.

Apertem os cintos. Os próximos passos vêm aí.

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