quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

ARTIGO


Por que a educação é tão subestimada no Brasil?


O principal problema enfrentado pelo país está fora da pauta das campanhas eleitorais. É a Educação, que raramente figura entre as prioridades dos políticos eleitos para os executivos municipais. Parte da responsabilidade é da população que também deixa de dar atenção a questões ligadas ao ensino das crianças. Já avançamos na universalização elevando o número de crianças nas escolas, mas estamos muito aquém de oferecer um ensino de qualidade e à altura das necessidades do País.
A educação está para o desenvolvimento e a distribuição de renda assim como a água para a sobrevivência do ser humano. Quanto mais educados os cidadãos de uma nação maior é o desenvolvimento econômico e o bem-estar de sua população.
Os prefeitos eleitos este ano devem passar a dar mais atenção para a educação mesmo que os investimentos no setor aparentemente não rendam votos a curto prazo. A cultura política predominante ainda é a que privilegia os políticos executores de grandes obras, aquelas que têm mais visibilidade. Essa postura está superada. Não precisamos ter apenas mais escolas, mas escolas que formem cidadãos aptos para a tarefa de construir um país cada vez mais próspero.Não é o que está acontecendo.
Muitas das nossas crianças permanecem na escola mas não conseguem aprender. São freqüentes os casos de meninos e meninas que ano após ano de escola não conseguem ler e esquecer. O problema não está no sistema de progressão continuada, mas no apoio extra-escolar a essas crianças, a maioria das quais provenientes de famílias de baixa renda. Também está na deficiência de formação e na falta de apoio financeiro e material aos educadores. A falta de maior envolvimento do Estado na educação é sinal de que o modelo de ensino deve ser repensado. A escola pública tão valorizada no passado está sucateada.
O resultado dessa falta de compromisso se reflete na proliferação de cursos de péssima qualidade nas escolas privadas, professores desestimulados e estudantes com baixo rendimento escolar. Projetando a longo prazo, a educação é aquela que, por sua importância, deveria merecer mais atenção de todos. Porque é ela que vai influir em todos os outros setores e será determinante para o desenvolvimento sócio-econômico e político de uma nação. A história mostra o quanto ela é importante nesse aspecto.
Os países que mais investiram no setor são os que apresentam o melhor nível de desenvolvimento. Nações mais pobres que compreenderam essa importância conseguiram superar o atraso que certas condições impuseram. É o caso da Espanha que, recém saída do franquismo era um dos países mais atrasados da Europa, e conseguiu superar suas dificuldades com grandes investimentos em educação.
Hoje é um dos países mais próspero do Continente europeu. O mesmo vale para o Japão do pós-guerra e a Coréia do Sul, mais recentemente.No mundo globalizado, as empresas se instalam nos países onde as condições são melhores para o seu desenvolvimento. O mesmo ocorre na indústria nacional que se moderniza tecnologicamente. Nesse caso, a qualidade da mão-de-obra também é um fator determinante. Necessitamos ter profissionais capacitados para atuar nos mais diversos setores econômicos. Significa dizer que necessitamos de gente qualificada, com nível de instrução adequada também para a pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Já passou da hora de prepararmos as futuras gerações para esse desafio.
Davi Zaia, é deputado estadual pelo PPS em São Paulo.

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