
Já dizia Shumpeter
Por Andrea Gonçalves, acadêmica de Direito da Unifieo
No Brasil a sobrevivência econômica é dada aos inovadores, com o protecionismo estatal, mesmo com o neoliberalismo, significa dizer, que leis são criadas para beneficiar empresas privadas, como um dos exemplos claros disso, é a nova lei de falências e recuperação judicial, Lei 11.101/05.
Urge uma estratégia de reforma de cunho cultural, social e econômico que traga um novo sentido histórico. O crescimento e o desenvolvimento econômico atual, que se desenrola num cenário de hipertrofia dos mercados financeiros não podem ser suficientemente compreendidos, sem levar em conta o nexo entre o setor financeiro e o setor real. É relevante citar aqui, como alusão analógica, porém crítica, a “Fábula dos Porcos Assados”.
É importante que se compare o ciclo econômico do final do século XIX começo do XX com a revolução tecnológica atual, lembrando que juntamente com a revolução tecnológica vieram varias outras, principalmente na área das telecomunicações (celulares, redes de alto desempenho etc.). Portanto, nota-se, que a necessidade faz a diferença quando uma sociedade necessita resolver de maneira rápida e objetiva os seus problemas. Em um mundo capitalista, que tempo é dinheiro, a tecnologia faz a diferença, mas o preço é alto, na medida em que representa diferenças sociais com dimensões diferentes do final do século XIX, mas mais perigosas, vem se repetindo de forma amedrontante, comprovando que o capitalismo sem controle, também é extremamente ineficaz e maléfico.
É importante frisar que as classes empresariais brasileiras, de um modo geral, mostram-se passivas em suas decisões estratégicas em longo prazo, e devem deixar de culpar os governos por tudo, lembrando que eles, os empresários é que deveriam ser os mais interessados em políticas cooperadas com os agentes econômicos, inclusive com o governo. Vale dizer, seria de suma importância que os empresários procurassem se auto-regular, evitando assim, que crise em um setor específico pode afetar significativamente outros setores da economia, (exemplo: Parmalat e Encol). E é justamente isso que sustenta Schumpeter (1911), sobre a interface do empresário inovador com outros setores, além do Estado como regulador, visando inovar para gerar lucros, e estes últimos passam a ter caráter dinâmico, contrariando o estático pensamento neoclássico.
Joseph Alois Schumpeter, nomeado professor de Economia da Universidade de Czernovitz (capital da província de Bukovina, na parte oriental da Áustria, hoje território da União Soviética), antes de completar trinta anos, por isso recebêra a alcunha de “enfant terrible”, bem como, já havia escrito dois livros extraordinários, com 25 anos, em 1908 publicou sua primeira grande obra, “A Natureza e a Essência da Economia Política Teórica” (Das Wesen und der Hauptinhalt der Theoretischen Nationalokonomie) e, quatro anos mais tarde escreveu a célebre “Teoria do Desenvolvimento Econômico” (Theorie der Wirtschaftlichen).
Era criador de cavalos, foi o Ministro da Fazenda na Áustria, filósofo social e profeta do desenvolvimento capitalista, historiador das doutrinas econômicas, teórico de economia que preconizava o uso de métodos e instrumentos mais exatos de raciocínio, e professor de Economia, se permitiu afirmar que a teoria econômica é um senso comum refinado. Sua primeira obra publicada como professor de Harvard foi “Uma Análise Teórica, Histórica e Estatística do Processo Capitalista”. Em 1939 ainda destaca-se entre seus trabalhos, um tratado sobre os “Ciclos Econômicos” (Business Cycles), lei de Say “A oferta cria a sua própria demanda”, 1942 publicou “Capitalismo, Socialismo e Democracia” (Capitalism, Socialism and Democracy), obra esta última, considerada por muitos como pessimista, por concluir o triunfo do socialismo, logo, a derrocada do capitalismo. Ele concluiu isso usando um processo analítico, sem expressar sua ideologia, manteve-se isento e impessoal.
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