Ideli Salvatti conseguiu se destacar como a feroz defensora do governo Lula, algumas vezes com propriedade, outras, usando técnicas pouco estratégicas para quem circula no salão azul ou no plenário do Senado Federal, mas em todos os momentos, a líder catarinense do partido do presidente circula nas esferas do poder com desenvoltura e respeito.
Este final de semana Ideli concedeu entrevista ao AN, talvez tentando dar luz à atual política barriga verde e quem sabe aos líderes que se dizem de esquerda repensarem os caminhos que escolheram e continuam trilhando, não que o caminho seria aproximar-se dos petistas de Santa Catarina, mas para que talvez partidos como o PPS sejam menos neoliberais/sociais e também acabar com uma triste imagem que vem fortalecendo para ruim, a imprensão de subalternalidade.
Os embates de 2008 e 2010 demonstrarão os políticos que detém o perfil de mudança daqueles que não conseguem se livrar da pecha de estarem à esquerda mas reverenciando a direita.
Acompanhe as melhores respostas da senadora Ideli.
AN – O governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) disse, em entrevista publicada há duas semanas em A Notícia, que o PT errou ao não apoiar o governo estadual no primeiro mandato, induzido por um líder que hoje não está mais no partido. A senhora concorda?
Ideli – O nosso primeiro erro foi apoiar o Luiz Henrique no segundo turno (de 2002), ter sido decisivo para sua eleição – sem o PT ele não teria sido eleito –, e não termos integrado o governo, disputado com o PSDB a linha do governo. A partir do momento que não integrou, era meio esquizofrênica a situação da bancada. Porque era responsável pela eleição, não fazia parte do governo, era oposição, mas não era, era governo mas não era. Esses erros do PT não eliminam a crítica justíssima que nós fazemos ao governador, à linha de governo, que ou nós deveríamos ter disputado para valer, dentro, ou então ter feito oposição clara.
AN – O presidente Lula da Silva em algum momento manifestou mágoa?Ideli – Digamos que o presidente nunca ficou muito satisfeito. É claro que ele se guarda e não põe isso. Ele tem uma capacidade muito grande que um dia eu gostaria de ter, de relevar, e fazer o que precisa ser feito.
AN – E para o governo em 2010?Ideli – Eu vou ser candidata em 2010, de certeza. O mandato no Senado acaba.
AN – Apresentar um nome como Mauro Passos seria uma forma de o PT capitalizar a crise desencadeada pela Operação Moeda Verde?Ideli – Exatamente. É a pessoa dentro do PT que tem acúmulo e visibilidade com estatura para fazer esse debate. Até porque quem não tiver a capacidade de fazer bem esse debate não vai ter apoio da população. A sensação que tenho é que a população está indignada com isso tudo e quer alguém que possa capitalizar esse sentimento anti-aventureirismo que tomou conta dessa administração, com o aventureiro que veio aqui. Quem tiver a capacidade de capitalizar esse sentimento está no páreo em Florianópolis.
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