O sábado amanheceu frio, mas o dia ensolarado encorajou a galera a acordar cedo e ir pro centro da cidade acompanhar a 1ª Parada do Orgulho Gay de Itajaí. Antes mesmo de o desfile começar, uma pequena multidão se amontoava nas imediações da praça Vidal Ramos – a pracinha da igreja velha, como dizem os peixeiros.
Quanto mais perto das 11 horas – horário do início do desfile – mais gente chegava: mais gays e simpatizantes pra participar do desfile, e muito mais gente curiosa pra ver o que ia acontecer. A parada gay transformou-se numa união de tribos.
Era rastafari desfilando os dreadlocks, metaleiro cabeludo querendo um lugar melhor pra ver o desfile, os emos com aquela história de pintar os olhos de preto, gente do samba e do pagode e a galera que é presença garantida nos showzinhos de MPB por toda a cidade peixeira. Eram índios de todas as tribos.
Quando Zezinho Gonçalves, o organizador da festa, iniciou oficialmente o desfile, pagodeiros e metaleiros, emos e rastafaris, todos embalaram ao som do hino gay "I Will Survive", na voz de Gloria Gaynor, que ficou mais conhecido depois do filme "Priscila, a Rainha do Deserto".
Uma fantasia alada e dourada puxava a turma da parada gay Hercílio Luz a dentro. Enquanto o desfile dava seus primeiros passos, Zezinho anunciava que aquela não era apenas uma festa gay, mas um protesto contra todas as formas de preconceito, contra o racismo, contra a homofobia.
Por JPS/Itajaí
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